Papo de Vitrola

Como foi fazer uma oficina de desenho?

Para quem acha que é preciso ser um mestre no que faz para ensinar algo, acho melhor deixar essa crença de lado ao dar continuidade nesse post. Todos temos algo a ensinar e quem quiser aprender chegará até você e o que você tem para oferecer será grandioso.

Tenho aprendido lições interessantes nas oficinas que tenho oferecido e nada mais justo que compartilhar aqui todos os processos com vocês. Penso que assim é uma forma de levar a arte a muitas mãos, expandindo e adquirindo experiências. Você pode começar daí, e gostaria muito que fornecer um relato pudesse estimular e preparar mais pessoas.

Como é a reação das crianças e adolescentes?

No começo, sempre achei que as crianças não fossem gostar (de mim ou da oficina), que ia ficar lá feito uma bobona e ninguém iria participar. Besteira: muitas crianças se encantam com um espaço cheio de papel e lápis. E elas adoram principalmente, conversar enquanto criam. Ficam encantadas e orgulhosas dos seus resultados, é uma visão muito pura de valorizar o que você faz.

Com os adolescentes, percebi dois tipos: os que torcem o nariz do tipo “ah, eu não, isso é coisa de criancinha!” e os que chegam junto e vão direto ao ponto, pedindo sugestões e também querendo te “atualizar” dos entretenimentos (recomendo ao menos saber o que é Naruto, Hora da Aventura e Pokemón, rs).

Gosto muito de contar que sou ilustradora e que já ilustrei um livro (o Criatividade Empática), pois desenhar livros é um sonho de muitas crianças que gostam de desenhar (eu era uma dessas, rs).

Quanto custa fazer uma oficina de desenho?

A última oficina que realizei foi no Shopping Serramar em Caraguatatuba, uma feira de empreendedorismo criativo que já havia participado outras vezes, a Feira Baby Mammy realizada pela Berê.  A oficina não foi cobrada para o público, então indiquei que teria colaboração voluntária e também levei alguns materiais feitos por mim, deixando durante a oficina à disposição para quem quisesse comprar direto com a artista.

Tudo foi retirado do meu bolso mesmo. Para quem quiser ter uma noção e se orientar para começar, esses foram os gastos:

Participação na feira: 50,00
Aluguel de mesas e cadeiras para a oficina: 28,00
Pacote de folhas: 5,00
Confecção do Banner: 24,00
Alimentação: 40,00 (9 horas de feira)
Passagens: 40,00 

O que levei também:
Lápis, lápis de cor, borrachas e canetinhas.

 
Vendas de produtos: 25,00
Colaboração voluntária: 0,00

Gasto total: 182,00 – 25,00: 157,00 de gasto total

O que eu aprendi?

Gosto muito de fazer as oficinas e é um cansaço revigorante, porém o que aprendi com essa última é que é necessário ter mais foco e ajuda. Chamei o namorado para ir junto, mas somos dois novatos ainda em aprendizado, rs. É difícil montar uma oficina sozinha, é necessário uma pessoa pra te auxiliar, receber as pessoas, orientar e principalmente: vender seu peixe.

Chame os pais, explique sobre como funciona seu trabalho e dê seus contatos. Durante a oficina eu não tinha tempo para fazer isso pois quem trabalha com crianças sabe o quanto eles puxam nossa atenção (eu adoro o “tia Rê”, rs), então os pais simplesmente chamavam as crianças ao longe e não falavam com a artista que passou tempo com o filho deles (euzinha, rs).

Isso é muito comum, quando você está numa área pública as pessoas tem receio de aproximação, então abordagens são necessárias – e aí você se lembra logo dos fazedores de cartão, né? Mas, fique tranquilo: dá pra ser menos “spammer” e se divulgar. Estou “estudando” técnicas de fazer isso e espero poder colocar em prática.

Bem, por enquanto, espero em breve poder fazer mais oficinas, mas por conta dos gastos, terei que esperar um bom tempo para a próxima. Até lá, estarei espalhando minha arte no Instagram e na página do Facebook.

3 Comments

  • Jess

    tudo é um aprendizado né? e as suas percepções foram ricas.
    Acho que o ponto de se divulgar para os pais é o mais determinante mesmo para você conseguir obter um maior retorno monetário e poder inclusive, patrocinar novas oficinas como essa 🙂
    trabalhar com crianças é uma delícia mas pode ser um pouco cansativo sem ajuda, porque elas realmente demandam nossa atenção! X)

    Key, que saudade de ti e desse espaço. andei off do mundo dos blogs um tempo, mas já estou de volta <3
    um grande beijo!!!!!!!!!!!!!

  • Samanta dafini

    Que experiência legal e ao mesmo tempo enriquecedora para tu mesmo. Engraçado que tudo que nós fazemos para os outros com o intuito de ajudar mesmo com o pouco que nós sabemos (que foi o caso de você e seu namorado) influenciamos positivamente e nos dá um prazer enorme no final não é mesmo? Acho normal vocês não terem experiencias total sobre o assunto, mas a coragem que você tiveram para ir lá e querer dá um pouco de vocês foi o que bastava, e pelas fotos parece que foi bem divertida.

    Eu não preciso dizer que eu amei né? É a primeira vez que eu entro no seu blog, e confesso que eu amei tudo aqui. Parabéns pelo trabalho e experiência incrível. hahaha bjs

    http://www.dosedeestrela.com.br/

  • Lidiane

    Rê, que experiência rica! Trabalhar com crianças é isso mesmo que vc falou: um cansaço revigorante. A única experiência que tive com crianças antes de entrar numa sala de aula foi através das oficinas, e foi muito importante para que eu tivesse noção do tempo da crianças, desse gosto que elas têm em chegar, falar o que estão usando, o que comeram, o que assistiram, e que acaba fazendo parte da aula também. Crianças nos ensinam a ouvir rsrsrs

    Beijão! :*

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