Categoria: Ilustracões

Desabafo: vergonha de ser ilustradora?

 

Era uma vez uma ilustradora. E ela sentia vergonha do seu trabalho. 

É isso. Eu não aguento mais sentir vergonha e culpa sobre meu trabalho.

É isso que sinto, TODOS OS DIAS: vergonha e culpa.
Sinto vergonha de falar/divulgar e estar sendo chata, sinto culpa quando não estou ilustrando, pois tenho tantas ideias, mas coloco poucas em prática, seja por falta de tempo, procrastinação ou insegurança. Já li livros (A Arte de Pedir, A Grande Magia– maravilhosos, inclusive) e parece que nada e nenhum conselho faz com que eu acorde desse “transe” artístico da master vergonha e inibição. 
 
Em duas vezes, por exemplo,  que fui explicar para alguém sobre o que eu vendia, eu comecei um discurso – super tímido – mais ou menos assim: “vendo ilustras, em molduras, a pessoa escolhe o tamanho, a cor das molduras…”. E essas duas pessoas disseram a mesma coisa: “você parece que vende molduras, e não ilustrações”. Vrá. 
 
Não estavam erradas. O motivo é simples: eu tenho vergonha de falar do meu trabalho e das minhas ilustrações. Fico tentando desfocar elas, tipo: “então, aqui estão as molduras, LINDAS, e aqui… bem, aqui vai uma… ilustração. Feita… por… mim?”
 
Entenda, eu não estou dizendo que acho meu trabalho feio ou mal feito. Eu coloco todo meu coração, dedicação e amor quando faço cada um deles, mas, minha confiança ao apresentar o que eu faço passa correndo e ainda me dá a língua. Não consigo me imaginar dizendo “olha só, essa arte INCRÍVEL AQUI QUE EU FIZ, OLHEM”. Céus, NÃO. Me dá calafrios só de pensar.
 
Sigo há anos tentando entender, já que meu trabalho paga minhas contas. Ele já devia ser o trabalho mais lindo (mesmo isso não sendo verdade) apenas por isso. Antes, era só um hobby, mas agora, eu realmente vivo dele, dependo dele, compro a ração das gatas com ele. Falando assim, fica até mais feio: tenho vergonha de falar sobre e divulgar um trabalho que faz com que eu sobreviva. Oras, Vitrola…
 
Não tenho, no momento, solução para meu caso, e se você é artista e passa pelo mesmo: um abraço. E quem sabe, futuramente, encontraremos uma solução pra se libertar desse sentimento horroroso? Oremos.
 
 

Primeira vez vendendo minhas artes em evento

Como muitos de vocês já sabem, sou ilustradora e “ganho” a vida trabalhando com isso. No horário comercial, eu trabalho normalmente em outros projetos freelas (fazendo logotipos, cartões de visita, flyers, postagens para Facebook, etc.) e nas horas restantes do meu dia eu me dedico ao meu projeto paralelo: minhas ilustrações.

Sou apaixonada por impressos desde que trabalhei numa gráfica pela primeira vez, há muitos anos. Acabei anos depois abrindo uma lojinha onde vendo meus pôsteres e quadrinhos com ilustrações feitas por mim, desde a ideia até a impressão e envio. Faço minhas vendas pela minha página do Facebook e através de uma lojinha virtual, porém, tenho sentido falta de um feedback mais pessoal e há pouco, decidi que finalmente havia chegado a hora de me aventurar em mais uma caminhada: a dos eventos.

O hostel Na Praia, aqui em Ubatuba mesmo, divulgou um evento de Flash Tattoo, onde rolariam tatuagens e comidinhas e achei que seria uma boa oportunidade para a minha primeira vez em eventos: perto de casa e próximo a pessoas conhecidas. Fiquei dois dias seguidos na maior correria preparando os produtos que levaria, dormindo 4 horas por dias, ainda um pouco (muito) perdida sobre o que levar, mas no fim, deu tudo certo!

 

Lista de algumas coisas que levei (além dos produtos)

Saquinhos para colocar os pôsteres

Sacolinhas de papel para os quadrinhos

Saquinhos de presente para os ímãs

Porta durex

Cartões de visita

Lousa para colocar preços

Caneta e caderno

Organizadores variados para colocar produtos menores

 

Fiz ímãs, pôsteres e muitos quadrinhos. Não vendi muito pois era um evento pequeno, mas recebi muitos elogios e feedbacks bacanas, recebi visita de amigos e pude conhecer pessoas que já conheciam meu trabalho, e de quebra, ver que a publicidade paga do Facebook realmente tá funcionando (haha!).

Fiquei feliz de receber apoio de outros amigos que também estavam lá (a Maria do Diga Maria estava com seus quitutes de encher os olhos e a boca), tava rolando música bonita e uma vibe sensacional!

A belezinha foi que a maquininha do Pag Seguro chegou dias antes do evento e foi salvadora: as pessoas que compraram, todas pagaram apenas com cartão. Sobre a maquininha, outra hora faço um post sobre ela, tá bem?

 

Fiquei muito motivada para participar de outros, e tirei algumas fotos para vocês verem a fofura que ficou depois de tudo arrumadinho. Minha foto como vendedora foi tirada pela minha amiga Gabi, que esteve lá me dando aquele super apoio moral. Ah, e se você já tá craque em eventos, eu aceito dicas, tá bem?

 

É isso, espero que tenham gostado. Quem sabe não nos vemos nos próximos? ♥

Passo a passo de ilustração: Meet the Artist!

Nessa vida tenho várias coisas para aprender e certamente uma delas é aprender a fazer os processos das minhas ilustras pra mostrar pra vocês. Muita gente pede e quando vou lembrar, já fiz! haha. Mas, nesse post, vou tentar mostrar pra vocês um pouco do processo de uma ilustra feita mais rapidinha.

A verdade também é que minhas ilustras não envolvem grandes técnicas, como já contei aqui nesse post. Eu não sei muito de anatomia, por exemplo, então muitas vezes eu pego uma foto de uma modelo numa pose que eu quero e uso como base, fazendo as adaptações pro meu traço/estilo de desenho e de detalhes (óbvio). A do Meet the Artist, por exemplo, usei essa foto aqui como base:

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O processo

Rabisquei de novo só pra vocês terem uma ideia de como fica, antes de eu fazer todos os ajustes e chegar à arte final. No Illustrator, crio uma nova camada e traço por cima do meu modelo.

O pincel que uso é o da própria Wacom (pincel ártistico 6D) e claro, também a mesa digitalizadora da Wacom (a minha é a Connect).

model-ilustra

Aqui é o traço final. Depois de traçar no Illustrator, eu jogo no PS e escolho as cores, em inúmeras camadas, uma para cada área do desenho: desde o narizinho do gato até o fundo do desenho. Depois de tudo pintado, vou trocando as cores das camadas que já estão pintadas de acordo com a “harmonia” que quero para aquele desenho e aplicando texturas e efeitos, se necessário. Por último, faço as camadas para as sombras, brilhos, etc. Ajusto a cor do traço, o tamanho que uparei para web, salvo no computador e voilà!

MEET-SEM-PINTURA

Aqui tem um gif “mais ou menos” do processo de pintura até o resultado final (outro dia faço um mais detalhado):

 

meet-the-artist-pintado-gif2

 

E aí, gostaram? Era mais ou menos como vocês imaginavam que nascia uma ilustra? Deixe aí nos comentários sua opinião e também se gostaria que eu postasse mais sobre esses processos de ilustra 🙂