Papo de Vitrola

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Collab Vah Andrade: Os Peixes

Collab – Os Peixes, por Vah Andrade e Re Vitrola

Fazia muito tempo que queria fazer um trabalho colaborativo com alguém, planejei no início do ano com minha amiga talentosa e jornalista Vah Andrade nem de longe eu fazia ideia que seria tão fantástico!

Um collab parece algo simples, mas não é só isso: é magnífico! Para vocês terem ideia, quando a Vah e eu concordamos em fazer, não foi estabelecido nenhum texto nem ilustração pois foi tudo muito rápido, logo, o texto dela foi surpresa para mim assim como a ilustra foi surpresa para ela.

O resultado é esse que vocês estão vendo, que eu AMEI.

Para a composição, utilizei:

  • Papel craft – meu vício por papel com cores terrosas
  • Tombow preta n15
  • Posca branca 07mm
  • Cis Ultrafine ECO
  • impressora para o texto

Expectativas são como peixes que eu alimento com uma ração chamada “amorzinho”. A “amorzinho” contém gramas de alegria, otimismo cego, egoísmo disfarçado de justiça e tudo que poderia nutrir os meus peixes.

Todos os dias eu alimento-os um pouco, chego a perceber que estão muito grandes, mas ignoro e compro um aquário maior. Mesmo com medo dos meus peixes crescerem demais, continuo seguindo a vida com muito orgulho do que eu fiz por eles, porque amo o que eu criei e não o que realmente eles são.

 Certo dia percebi que os meus peixes estavam enormes, maiores do que eu e que a “amorzinho” não os alimentava mais. Tive que jogá-los no mar. Fiquei triste, pois eu nunca mais veria meus peixes da mesma forma outra vez, porém, já crio outros e espero que não cresçam tanto.

Estamos muito ansiosas para saber o que vocês acharam. Deixe sua opinião aí nos comentários ou nas nossas redes e nos motive a fazer mais! ♥

Vah AndradeTwitter / Instagram

Re VitrolaTwitter / Instagram

Eu só vim falar sobre a Val

Antes de qualquer coisa, essa postagem não tem nenhum fundo moral ou de “lacre”. Eu só vim falar sobre a Val.

 

Conheci a Val quando eu tinha 14/15 anos. Ela sabia que eu amava ler e estudar, então sempre me dava algum livro.

A Val usava o cabelo curtinho e fazia relaxamento. Ela me pedia pra ajudar a passar o relaxante nos cabelos dela. Eu odiava o cheiro daquilo. Mas amava pentear os cabelos da Val. Os cachinhos dela faziam um movimento bonitinho no pente, eu adorava ver aquilo, enquanto conversávamos e ríamos.

A Val usava uma calça vermelha. Era sua calça favorita, eu nunca havia visto alguém antes ficar tão bem em uma calça vermelha. Até hoje acho que a cor vermelha deve ter sido inventada pensando especialmente em algumas pessoas, e uma delas, era a Val.

Quando a Val sorria – sei que parece piegas dizer isso –  mas o dia parecia ter todas as cores. Me fazia lembrar de dia de sol na primavera, pós chuva, pela manhã, com passarinhos cantando e cheiro de bolo saindo do forno, sabe? O sorriso da Val cabia num dia assim. Me dava vontade de sorrir também, mesmo sem saber o motivo dela estar sorrindo. E ela sorria. Cantava. Dançava. O tempo todo.

A Val tinha uma voz “rouquinha”. E os olhos puxadinhos. E um bocão lindo, que ficava ainda mais lindo quando ela usava batom vermelho.

Eu nunca conheci ninguém mais fã de Shakira como a Val. Colocávamos os CD’s dela da Shakira na bandeja “5 players” e ouvíamos o dia inteiro.

 

Eu sinto muita falta da Val. Eu me culpo pelo silêncio que entrei após sua partida. Na época, eu não entendi nada do que falaram. Eu me perguntava o motivo de não ter visto que no sorriso da Val tinha uma dor profunda, o ponto de uma decisão tão séria, tão impactante. Neste #setembroamarelo, em todas as postagens eu vejo um pouco da Val. E ainda me dói  lembrar que não posso pegar o telefone e ligar pra ela…

Eu sinto a sua falta, Val. Eu sempre vou sentir.

 

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A arte de não saber desenhar – e tá tudo bem

Adoro contar toda a trajetória da minha paixão sobre desenho. Mas ela é curta e sem muito “plot twist“, por assim dizer. Na verdade, não envolve nenhuma magia, nenhum “olha como eu virei uma profissional respeitada e incrível” – simplesmente por esse dia nunca ter chegado, e talvez ele nunca chegue. E tá tudo bem.

Eu sou uma “farsa”, e eu aceito bem isso. Sou autodidata, nunca fiz curso e criei técnicas para desenho que não é nada que envolve ostentação, só besteiras e gambiarras (amo/sou gambiarra). Imagino coisas e às vezes não consigo colocar no papel. Mas se estiver disposta, coloco e não tô nem aí se ficar tosco, afinal, o que vale sempre é a ideia.

Sabe aqueles rascunhos lindos das páginas de desenhos? Acho incrível, mas digamos que rascunhos raramente fazem parte da minha vida. Vez ou outra eu penso “essa ideia é DIGNA de um rascunho”, mas na maior parte o pensamento é “ah, foda-se o rascunho”. Começo uns traços sem muitas pretensões e CATCHUNCK! EUREKA! AU REVOIR! INSHALÁ!

 

ideia-na-cabeca

 

Vi um texto esses dias no Medium de uma moça que simplesmente traça em cima de fotos, uma traço bem tremelico mesmo, sem grandes pompas, coloca uma corzinha e plim, ela tem postagens ilustradas. Até o livro dela, se entendi bem, são de ilustrações feitas assim, na maior gambiarra assumidíssima. Achei maravilhoso.

Sabe o mais importante de tudo isso? Não ficar de papo mole com nossos impedimentos. Ela não sabia desenhar, mas foi lá e deu um jeitinho. Às vezes tá tudo ali, esperando que a gente abrace e né… aquela fala besta de “você precisa de TÉCNICA pra fazer isso” te impede e pluf, as ideias vão embora junto com esse pensamento limitador. Que merda, né?

Com rascunho ou sem, o importante é ser feliz fazendo gostoso. Né não?

(ai que fechamento ridículo de frase final de post, mas cês entenderam, não entenderam?)