Tag: análises

Gostosa NÃO é elogio

Gostosa não é elogio. E isso não é novidade. Quer dizer, até é. Vindo de uma pessoa muito íntima, num momento muito íntimo (e olhe lá), ou praquela comida que tu fez/comeu e tava … gostosa. Pra cacete. Fora isso, gostosa é só um alarde, uma invasão mais do tipo "epa, pera, quem te autorizou?"

 

Eu vi o desabafo na timeline de uma amiga outro dia, e fiquei triste. Por ela, por mim, e por todas as mulheres que são obrigadas (pois é… achava que tínhamos escolha?) a ouvir isso a coisa pior na rua. Até a coisa menos piores, mas acompanhado sempre de um olhar que chega fazer desejar lá no fundinho ter nascido com super poderes de explodir cabeças. 

 

Os homens se defendem. "Tem mulher que gosta". "Tem mulher que pede". "Tem umas que dão até um sorrisinho". "Eu sou homem, poxa, homem mexe mesmo, não se controla".

 

E aí nós vemos que somos apenas parte de uma roleta-russa, né? Uma hora eles acertam. Azar o nosso se não acertou na nossa vez. 

 

Não vou dizer aqui que tem homem que salva, vejo tão raramente que a memória até falha. Desculpa. Irmão, pai, marido, não importa: todos foram perfeitamente moldados a visualizar mulheres como pedaços. "Olha aquela coxa". "Olha essa bunda". Embora eu seja casada e tenho um relacionamento que vai bem, obrigada, é ÓBVIO que eu ouço coisas que me deixam desacreditada às vezes, e tenho que ter muita paciência, pois olha… não é fácil ser mulher num mundo machista a cada milímetro do nosso corpo e espaço.. 

 

Já contei aqui a historinha traumática de quando eu era criança, esperava uma declaração de amor de um amiguinho que era super fofo e ele apenas elogiou minhas coxas, né? Oito anos de idade, isso em 95. Alguém ensinou pra ele que isso era um baita elogio para uma menina. Os amigos riram. Ele se sentiu rei. Eu tive vontade de chorar e quis sumir.

 

Eu não espero que algum homem entenda ou leia esse recado, já que a maior parte das leitoras do Mulher Vitrola (95%!), é de mulheres. Então,  digamos que isso é uma conversa entre nós, ok? E embora eu ache cada vez mais essa situação um absurdo, foi numa tarde de reflexão que eu tive que aceitar que é um FATO, que vamos tropeçar com isso muitas e muitas vezes por aí e precisamos saber como nos erguer. E para isso temos que estar unidas, e não umas contra as outras. Combinado?

 

Cao4gz5

 

Imagem da campanha "Chega de Fiu Fiu"

 

 

Sala de espera

Quem gosta de esperar?

 

Eu tenho pavor de esperar. Por isso odeio filas, odeio viagens. Tenho uma péssima mania do "aqui e agora", que pra ser sincera eu nunca vou dizer que é um defeito meu se me perguntarem, pois não é algo que me deixa tensa: eu só não gosto, mas sempre dou um jeito de lidar com isso de alguma maneira.

 

Não gosto de esperar, mas também tenho facilidade pra aceitar as coisas e o dom da procrastinação (que ironia, hein?) – e é aí que felizmente mora o equilíbrio e não viro uma louca resmungona enquanto no banco o painel mostra 357 e meu número é o 120 da fila de espera.

 

Uma vez, estava num consultório e lá era organizado por uma ordem de chegada muito louca. Cheguei, dei meu nome e a atendente disse que ia demorar um bocado. Eu esperei DUAS horas e 40 minutos. Levantei e perguntei pra moça se havia algo errado, pois já havia passado mais de duas horas e ainda não tinham me chamado… ela disse que chamaram, mas ninguém respondeu. Acho possível, considerando minha surdez. Seja lá o que tenha acontecido, que foi muito azar… foi.

 

E falando em espera, todo ano espero ansiosamente para comer a tainha que tem aqui na festa de junho (Festa de São Pedro Pescador). Outro dia bateu uma vontade imensa de comer tainha e pensamos: porque não agora? Então fomos fazer nossa rara visita ao mercado de peixes da cidade e compramos a bendita tainha.

 

20150503165756

 

A ansiedade era tanta que eu sequer procurei na internet antes como preparava, como de costume. Apenas compramos.

 

No final, deu tudo certo. Ficou deliciosa, do jeitinho que é na festa. Copiei até os acompanhamentos: salada de maionese, arroz e farofinha.

 

e sobre esperar… nem sempre é tão necessário, né?

Não, eu não dou conta

Já foi elogio ser chamada de super-mãe. Super-heroína. Super-mulher. Ser super em algo que eu nem sabia, em pura auto-crítica, desempenhar tão bem assim.

 

Mas a grande verdade, amigos e futuros decepcionados é: não, eu não dou conta. 

 

Ser "super" te frustra. É um depósito criado de altas expectativas, em que em todas você se sai super bem, é maravilhosa, não erra ou pelo menos sabe dar uma boa volta disso. Pois mulher super sabe como ninguém contornar todas as leis de Murphy da vida. De salto. E maquiada.

 

E carrega com honra o fardo de ser a "super", quando na verdade só queria ser "marromeno" mesmo, e não deixar essa tentativa aka obviamente fracasso te consumir e te esfregar sei-lá-quantas-vezes na cara que não amiga, não dá. Hoje não.

 

Mas eu não dou conta… já disse? E quero ficar bem com isso. Será que dá? 

 

wonder-woman

só "as preparada"… mas nem sempre.