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Você conhece seu cabelo?

Uma vez, vi um vídeo no Youtube de uma mocinha, da qual não lembro mais o nome, falando sobre cabelo. Se vocês souberem quem é, digaê nos comentários que terei maior prazer em editar o post, pois esse vídeo já tem meses que assisti e desde então, não saiu mais da minha cabeça.

 

No vídeo, basicamente, ela dizia sobre lembrar de como é usar o cabelo sem nada. É, sem nadinha. Só lavar, condicionar e tchum, cabô. Esperar secar e ver que bagulho que dá. Wow!

 

Eu pensei: isso seria muito louco, pois desde que parei de alisar, eu não sei como é meu cabelo de verdade. Mas aí fiquei lembrando, resgatando mentalmente toda minha história de cabelo. Todo mundo tem uma. Você certamente tem uma. Sua melhor amiga provavelmente, tem uma. 

 

A minha é assim: lá em casa, rolava uma idolatria com cabelo. Não da parte da minha mãe, que mantinha os cabelos curtos desde sempre. Mas dos parentes com o meu cabelo. "Que cabelo lindo! Nunca corta, hein?" "Jamais pinte esse cabelo!" "Cabelo de verdade é comprido e natural!" – e coisas do tipo. E de fato era assim: eu nunca pude cortar. Porém, dos 8 anos até cerca de 13 anos, eu tive piolhos. Pois é. Imagina uma vasta cabeleira… piolhenta. Esta era eu.

 

Não era falta de cuidados, de tentativas. As pessoas diziam várias receitas e minha mãe tentava todas. TO-DAS. Querosene, alcool, fubá quente, neocid (sim, o pózinho mega tóxico), henê, fumo de rolo. Era impressionante a variedade e criatividade das pessoas – e eu sempre torcia para que quando minha mãe tecesse qualquer comentário sobre os moradores da minha cabeça, essa pessoa não soubesse de nenhuma receita nova em especial que incentivasse minha mãe a tentar: "Ufa, essa já foi!".

 

Todo tipo de constrangimento escolar eu passei por causa dos malditos piolhos. Ser afastada dos coleguinhas, virar alvo de piadas, ser ameaçada, levar bilhetinho pra casa, ir para a secretaria… até o dia que não aguentei a pressão e pedi pra sair da escola, e fiquei sem estudar cerca de 1 ano e meio. Então sim, eu cresci odiando meu cabelo. E na primeira oportunidade adolescente, não pensei duas vezes: fui passar férias na casa de uma tia e passei a tesoura.

 

Eu me libertei. De uma imposição das pessoas, de um cabelo que para mim, carregava uma história que eu não queria que fizesse parte do meu corpo fisicamente – já que ocupa parte da minha memória mesmo a contragosto.

 

Da esquerda pra direita, sentido horário: aos 7 anos, aos 9 totalmente liso por causa do henê, aos 18 loira, aos 19 morena e cacheada, aos 19 e passando creme nos cabelos, aos 25 totalmente fã da chapinha e aos 27 pós primeira selagem.

 

Então sim, eu sou desapegada com meu cabelo, ou tento ser, na maioria das vezes. Meu cabelo não pode ser o centro da minha vida. Acho perda de tempo (pra MINHA vida, que fique claro) levar horas na frente do espelho ajeitando o cabelo, sendo que eu poderia estar fazendo outra ou coisa ou apenas NADA. Não tenho receio de mudar de cor quando dá na telha, ou de tentar um novo corte se o atual não me agrada mais. É mais que uma satisfação visual, é uma afirmação da minha liberdade: eu sou o que eu quiser ser, quando quiser ser.

 

Acho essencial essa busca. Saber o que funciona, o que não funciona, COMO SOMOS DE VERDADE, e lembrar sempre que somos pessoas diferentes, e que obviamente, os resultados variam: vai dar certo ou não vai, e isso não é o começo nem o fim do mundo. Às vezes recebo e-mails de pessoas me perguntando "mas se eu fizer isso no meu cabelo, vai dar certo?" e eu NÃO SEI. E exatamente por isso, essa busca acaba sendo algo muito pessoal, e um olhar pra importância de nos conhecermos melhor – dos pés à pontinha do cabelo, literalmente.

 

Vejo atualmente meninas idealizando cabelos que, gente… obviamente tiveram uma superprodução por trás de tudo daquilo, tanto de fotografia quanto de produtos/acessórios. Eu já tive o cabelo que eu sempre quis. Mas dava trabalho, e me tomava mais horas e preocupações do que deveria. Cada elogio eu aceitava mais como "você não sabe o trabalho que dá" que com gratidão. O real, no dia a dia, pode não ser sempre tão belo, definido e superproduzido quanto na revista ou na página famosa. E aí, como é que fica? 

 

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Haja progressiva, escova e chapinha em pleno verão pra esse "cabelo dos sonhos"…

 

E sim, eu amo produtos e cuidados com o cabelo, acho divertido reservar uma hora e fazer tudo isso, experimentar coisas, testar novas receitinhas. Quem me acompanha sabe que adoro tudo isso! Mas tudo isso tem que cada vez mais se encaixar no meu ritmo, no meu tempo, na minha disposição. A única obrigação que eu tenho, no fim de toda essa loucura, é de procurar estar bem comigo mesma, mas se eu não conseguir… tudo bem também. Uma dia de cada vez, não é mesmo?

 

Me conta: Qual a sua história com seu cabelo? E a sua relação com ele? Tem sido cansativa ou tranquila? O que você costuma fazer quando se sente assim?

 

Renata, ilustradora, blogueira, gateira e atualmente precisando muito de vitamina T(esoura) #meucabelodeverdade

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E aos 30, crisei.

Ontem eu tive um dia produtivo. Fiz um post, terminei de pintar as molduras, deletei e organizei e-mails (meu espaço estava quase acabando), gravei e editei um vídeo, fiz listas de coisas para fazer na semana.

 

Mas ontem eu "crisei". Tive um colapso, que começou com uma situação incômoda, e ferveu tipo aspirina daquelas grandonas em copo com pouca água. 

 

No alto dos meus 30 anos, eu debrucei sobre uma folha de papel em branco e achei que todo aquele "nada" resumia minha vida: o concurso que passei e nunca sou chamada, o trabalho dos sonhos que não consegui levar como eu gostaria, as tentativas de emprego na cidade que fui recusada, a falta de dinheiro para resolver pendências, a casa que cada dia tem uma cebola de problemas a serem resolvidos, todos interligados. Tudo ferveu e deixei transbordar nos olhos e nos dedos, em mensagens desesperadas para as melhores amigas, à distância de um abraço mas sempre em prontidão.

 

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Me senti mal por tanto pessimismo. Ter 30 anos é tipo comer o melhor sorvete do mundo na melhor tarde de primavera, com quantas cerejas quanto quiser colocar, para logo em seguida levar um soco no estômago. E eu talvez não estivesse preparada – nem disposta – a levar esse soco.

"O que é pior: uma sobrecarga ou o seu contrário?" – Garota,Interrompida

Hoje eu tô ótima. Acordei bem mais motivada, e tá um sol lindo cheio de passarinhos cantando, você precisava ver. Renovei minhas esperanças, tentei organizar da melhor maneira possível e fazer encaixar, botar nos eixos. Ah, e li esse texto da Ruth Manus que parece que falou comigo, hoje, para ontem, mas que vai servir pra daqui em diante. Guardei.

 

"Crisei". Mas já "descrisei". Tudo bem por aí?

System of a Down em SP: eu fui!

Embora eu esteja totalmente dolorida neste momento (até meus pensamentos doem), na última sexta eu realizei uma vontade que já tinha 15 anos: assistir a um show do System of a Down! E fazer isso aos 30 anos foi algo que vou querer guardar pra sempre. 

 

Quis aproveitar esse momento ao MÁXIMO, e apesar da chuva que não deu trégua, foi maravilhoso. Não enxerguei nada além das cabeças mais altas à minha frente (ser baixinha e usar óculos é um combo deprimente em show, amigos), mas eu só queria estar ali e ouvir as músicas que passei minha adolescência ouvindo nas fitas K7. 

 

Tirei duas fotos. Ambas no início do show, e como sempre desejando fortemente que as pessoas esqueçam de ficar gravando o show inteiro no celular e tapando ainda mais minha visão ao invés de curtir o momento, mas nem sempre meus pedidos são atendidos… o jeito foi desencanar, né? Curti por eles e por mim, eu garanto. No meio do show, essa imagem era o que me definia (tirando a parte que eu não estava colada na grade e nem tão paradinha assim, hehe)

 

 

O local do show foi a Arena Anhembi, eu não tenho uma experiência significativa em shows, mas achei suficiente o fato do local de ter banheiros químicos e normais (acredite, sou uma decepção de Darwin em banheiros químicos) e mais opções de lanches – e até food trucks! Show dá muita fome, sede e é muita energia gasta. Os valores, na mesma de shows: tudo caro, mas já o esperado, nenhuma novidade.

 

Sobre o show, sensacional. Ouvi alguns comentários acerca da falta de entrosação da banda com o público, mas achei que eles cumpriram o prometido. Tocaram as "clássicas" e até incluíram no setlist um pedido especial de alguns fãs que estavam no mesmo bus que eu fui. A chuva não desanimou ninguém, apesar do cansaço de após 5 horas de espera para o show começar. Saímos de lá satisfeitos de acompanhar uma banda que resistiu ao tempo: nosso e deles. Segue a setlist tocada no show:

 

System of a Down Setlist Arena Anhembi, São Paulo, Brazil 2015, 2015 Latin American Tour

 

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marido e eu na nossa única foto tirada ainda apresentáveis à sociedade, hehe

 

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Visão do palco antes do início da chuva e da abertura com show do Deftones.
Fiquei do lado direito, só que um pouco mais próximo.

 

Foi bom pra caramba e ao quadrado. E só não quero replay pois minhas pernas, pescoço e braços não permitem, haha!