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A vida num tchibum

De todas as coisas que já me aconteceram, eu só deixei doer a saudade. Pois só ela me fez perder um pouco o tempo que eu tirava pra respirar e pensar em nada: agora sempre que paro pra pensar no "olho do furacão", sinto aquela pontada que é tipo fome e sede juntos. Aí deu, já virou rotina sentir os ombros mais pesados e buscar sei lá da onde uma coragemzinha fajuta pra voltar. E quando você nem sabe onde estava? Ufs.

 

Tá tudo passando muito rápido. Quando me doi conta… tchibum. Mergulhei. É aquele silêncio meio ensurdecedor. Já tentou gritar embaixo d'agua?

 

Esse mês, o Pedro faz 10 anos, e nesses 5 anos que estamos longes um do outro e matando saudades que não cabem num calendário, muita coisa mudou. Nós mudamos. Ele muda a ca-da-se-gun-di-nho. Ver uma criança crescer, no meu caso, passa diante dos meus olhos em apenas segundos, mesmo. Uma frase, um sorriso, um olhar, e estamos ali, crescendo. Ele e eu. Cúmplices e presos na cauda do cometa tempo.

 

"Um dia de cada vez", eu repito todos os dias, mentalmente. E assim tem sido. Passa rápido. Mas a saudade faz doer na lentidão. Ela é cruel e fortalecedora num mesmo instante, não é mesmo?

 

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Eu te amo pra sempre. 

 

 

Ridijanêro, filhote e desvirtualizando…

A cada visita ao Rio de Janeiro eu confirmo muitas coisas. Uma delas, é que eu tenho orgulho de onde nasci. Duque de Caxias pode não ser a cidade mais bonita, mais limpa (e bem longe disso), mas é a cidade que sempre me acolhe. Lá ficaram muitas histórias da minha vida, e e lá que o maior amor da minha vida, meu filhote Pedro, vive. Embora eu nem sonhe em voltar a morar lá (Ubatuba cativou meu coração pra SEMPRE!), visitar o ridijanêro é sempre uma boa surpresa.

 

Eu vivi 24 anos ouvindo os vendedores ambulantes de ônibus/trem, mas sempre me impressiono com a criatividade dos bordões. Melhor que muito trabalho publicitário que já vi por aí, rs. Fora que você encontra de tudo: de fones de ouvido a ba-na-na-da dor-real.

 

Todo mundo tem seu recarregador de energia, o meu é meu filhote. Todas vez que eu o vejo, me situo novamente sobre o que quero pra minha vida, e o motivo que eu desejei continuar quando eu perdi as esperanças. Sem contar que ele tem a voz mais doce e o jeitinho mais gostoso de falar que já ouvi na vida!

 

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Se eu fosse ryca, teria voltado pobre de Duque de Caxias. Sempre me esqueço do quanto roupas lá são baratas. Shortinho que aqui eu costumo pagar 50 dilminhas, lá eu via por 19,90. E encontrei uma sainha nessas lojas de povão (amo!), que acredito que seja para usar na academia (e que aqui vou usar na praia, óbvio) com estampa retrô. Juro.

 

Falando em Caxias, acho demais quando acham que eu morava em Copacabana, Leblon… gente, sou de terrinhas Caxienses, com maior orgulho e amô. Minha vida era pegar poeira na cara, tomar açaí e comer batata frita na Praça do Galo e muitos rolês de busão. 

 

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Pela segunda vez não voltei com um estoque de Guaravita. Me diz se não tem a melhor frase de produto?

 

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Cada vez eu consigo desvirtualizar azamigas de brógui um cadinho mais, e é sempre tão delicioso! Por mais tempo que eu fique no RJ, ainda as coisas são corridas para mim, até pela distância. E eu sempre vou abrir mão, se necessário, para passar o maior tempo possível ao lado do filhote. Mas, uma hora consigo desvirtualizar todo mundo ♥

 

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Rogéria (Um Espaço pra Chamar de Meu), Chris (Inventando com a Mamãe), Mari (Diário de uma Mãe Polvo!) e Rose (Vida de Mãejestade)

 

Marido foi me buscar e na volta fizemos um passeio rapidex por Niterói. Visitamos o MAC rapidinho (Museu de Arte Contemporâneo). Tão lindo!

 

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Ainda na volta, estávamos tão cansados e ainda tínhamos que esperar um casal de amigos resolverem algumas coisas por Niterói + longo caminho de volta pra Ubatuba, que resolvemos pagar entrada no cinema para dormir lá. E o começo de Festa no Céu é lindo (a única parte que e vi…)

 

Até a próxima, Ridijanêro!

 

 

Para nosso pequeno dinossauro

Há três anos atrás, eu tive a oportunidade de conhecer alguém muito especial. E até soa meio óbvio você citar "especial" quando se trata de filho, afinal, que filho não é especial? Mas o Quim foi um especial com acréscimos, por assim dizer. Ele me mostrou tantas coisas em apenas 6 meses que, todos os dias me pergunto em que ele transformaria a minha vida se não tivesse partido e esses seis meses fossem na verdade, 6, 15, 20 anos… que tipo de pessoa eu seria? Existe um ponto final para as transformações das nossas vidas?

 

Três anos depois, tanta coisa mudou… e com o passar dos anos, é quase inevitável que a perda quase vire um "segredo". As pessoas que sabem, procuram não mencionar com medo de dizer algo que magoe, que traga lembranças ruins. Já conversas com recém conhecidos, você acaba, por facilidade, não mencionando detalhes que precisem ser explicados. É como um apego e egoísmo com as memórias, que você quer às vezes que sejam só suas (mesmo sabendo que é uma tarefa quase impossível… coisas de mãe).

 

Eu já passei por uma fase que pensava "será que sempre serei marcada como a mãe que perdeu o filho?" e passei entender o motivo de querer manter esse segredo, quando ainda não conhecia muito bem a pessoa. Como se fosse um recomeço todas as vezes. Até que percebi que algumas marcas de nossas vidas, realmente, não podem ser desmarcadas. E isso não importa muito quando você sabe que pode sempre recomeçar sua vida. Nós somos feitos de recomeços… e eles podem ser feitos todos os dias.

 

Dia 19 de julho, foi o dia do aniversário do Quim. Esse sempre será o dia do aniversário dele, pois eu sequer gravei outro tipo de data. E apesar das memórias que teimam em querer se despedir da mente, conforme o tempo passa, eu sonho e imagino com ele com sua respectiva idade. É como se ele ainda estivesse crescendo aqui comigo, só que mentalmente. Eu posso descrever seu andar, seu toque, suas feições… se a memória falha, pelo menos há criatividade.

 

Como a maioria das crianças, o Quim tinha um apelido carinhoso, e eu nem sei bem dizer como ele surgiu. Do dia para  noite ele virou um Dinossauro. Nunca perguntei se ele gostava de ser um Dinossauro, mas ele sempre ouvia de forma muito "atenciosa" quando o chamávamos assim. Nosso "ninosauro" também não existe mais no mundo, assim como todos os outros dinossauros. Mas por aqui eu posso garantir que a sua breve existência deixou bem mais que memórias que vem e vão… 

 

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agora eu carrego um dinossauro por aí…

 

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com amor, para Quim ♥