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A vida num tchibum

De todas as coisas que já me aconteceram, eu só deixei doer a saudade. Pois só ela me fez perder um pouco o tempo que eu tirava pra respirar e pensar em nada: agora sempre que paro pra pensar no "olho do furacão", sinto aquela pontada que é tipo fome e sede juntos. Aí deu, já virou rotina sentir os ombros mais pesados e buscar sei lá da onde uma coragemzinha fajuta pra voltar. E quando você nem sabe onde estava? Ufs.

 

Tá tudo passando muito rápido. Quando me doi conta… tchibum. Mergulhei. É aquele silêncio meio ensurdecedor. Já tentou gritar embaixo d'agua?

 

Esse mês, o Pedro faz 10 anos, e nesses 5 anos que estamos longes um do outro e matando saudades que não cabem num calendário, muita coisa mudou. Nós mudamos. Ele muda a ca-da-se-gun-di-nho. Ver uma criança crescer, no meu caso, passa diante dos meus olhos em apenas segundos, mesmo. Uma frase, um sorriso, um olhar, e estamos ali, crescendo. Ele e eu. Cúmplices e presos na cauda do cometa tempo.

 

"Um dia de cada vez", eu repito todos os dias, mentalmente. E assim tem sido. Passa rápido. Mas a saudade faz doer na lentidão. Ela é cruel e fortalecedora num mesmo instante, não é mesmo?

 

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Eu te amo pra sempre. 

 

 

Linketes da Semana e convite especial!

Hoje, domingo e dia das mães, nada mais justo que compartilhar tudo que vi relacionado a essa data, e que indico muito a leitura! Agora vou correndo me arrumar para passar um cadinho desta data com minha melhor amiga: minha mãe!

 

Para mães de pessoas com deficiência – Lugar de Mulher

O que a gente ganha quando perde alguém? – Brasil Post por Camila Goytacaz

Sabe o que ela quer? Menos machismo, gaslighting e alienação parentalMulher Vitrola

E você, o que quer de Dias das Mães?Paula Lafrontt

 

 

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Imagem: Exploding Comics

 

Um convite especial!

 

E falando em mulheres poderosas, tenho um convite especial para vocês para esta segunda (11/05), às 20:00. A Isa do blog Delineado Gatinho e eu estaremos num bate papo pra lá de bacana com a Simone Mitjans, sobre sucesso feminino e como usar toda sua energia a seu favor. Há um tempo a Simone tem tido longas conversas comigo e tem sido sensacional, e gostaríamos de compartilhar com vocês um pouco mais sobre o Sucess Club que tanto tem nos guiado. Que saber mais um pouquinho? Dá uma olhada neste post da Isa que explica um pouco mais do que espera por você.

 

Para quem quiser participar, indico adquirir gratuitamente sua assinatura energética através desse link, e participar desta deliciosa conversa com a gente 🙂 Fiquem ligados na página da Isa para divulgação do link do hangout, tá bem? Espero vocês lá!

Sabe o que ela quer? Menos machismo, gaslighting e alienação parental #DiadasMães

Eu nunca achei que seria mãe, e até reencontrar uma paixão da adolescência, eu não queria ser mãe. 

 

Mas um dia, eu me tornei mãe. E embora a minha mãe fosse sempre presente na minha vida e uma grande amiga, sabe aquilo de "quando você for mãe, vai entender a sua"? Então, não rolou essa mágica. Na minha cabeça, a única referência que eu tinha para maternidade eram os cadernos novinhos da escola: lindos, cheirosos, e cheios de folhas novinhas para preencher. E eu estava muito empolgada e com ótimas ideias.

 

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Eu me tornei mãe com 20 anos. Ou melhor, eu engravidei, né. Aos 20. Me tornar mãe foi outra história. 

 

E toda vez que eu olhava aquela criança linda, perfeita e inteligente, eu olhava pra minha vida e não me localizava. Era como se eu tivesse duas vidas: uma linda, com uma maternidade da qual eu escrevia a punho, e outra que era uma verdadeira sequência de fracassos e da qual eu não me enxergava, nem comandava o meu roteiro. Eu simplesmente não devia estar ali.

 

Um dia meu meu relacionamento chegou ao fim. De forma não poética, por assim dizer. Não como nos filmes. Filme você quer contar a história mesmo que seja da pior maneira e o filme seja muito ruim (porém, sou péssima com sinopses). Vida não. Vida você quer botar na gaveta e esperar que alguém esqueça, ou que ela evapore, ou que você um dia, passe a acreditar fielmente que tudo aquilo nunca aconteceu.

 

Junto com isso, descobri diversas "crenças" da sociedade acerca da mulher que se separa ou que apenas termina um namoro. Parece não existir a possibilidade de mulher que se separa não ser julgada, por exemplo. E sofre todo tipo de consequência vinda do ex parceiro, por suas novas escolhas, por dizer NÃO à um relacionamento violento, por não pertencer à ninguém e ser dona dela mesma. Afinal, uma mulher determinada a seguir sua vida após um relacionamento que não vingou, oferece muito risco para a manutenção de uma sociedade decente, ao que tudo indica. Então imaginem EU, que se separou e por falta de opção na época, deixou o filho morar com o pai? Já temos um combo julgameitor!

"GASLIGHTING é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memóriapercepção e sanidade"

Eu já tentei explicar de todas as formas que você imaginarem, mas as pessoas parecem simplesmente fecham os ouvidos quando digo "sim, meu filho mora com o pai". COM O PAI, aparentemente, parece ser "larguei numa sacola com aquele cachorro ali na rua". E então você recebe o tal olhar inquisidor. Você, mulher, que trabalha todos os dias, casada há 5 anos e que se faz o mais presente o quanto possível na vida do filho e MAS PERA, VOCÊ DEIXOU O QUÊ? COM QUEM?. Assim. Sem exagero nenhum. E de verdade, até gostaria de estar exagerando. 

 

Isso parece não ter impacto nenhum, alguns diriam. Mas esse ano, é o quinto dia das mães – entre outras inúmeras datas –  que passarei longe do meu filho (e o quarto que passo sem meu Joaquim, aliás). Geralmente, não recebo ligações em datas comemorativas, mesmo se for meu aniversário, pois faz parte do meu "castigo" esse total distanciamento, e exercer a maternidade é algo que eu devo fazer às duras, com minha contribuição apenas: eu ligo, eu mando mensagem, eu me programo, eu me desloco. Que parte é a minha na maternidade, segundo o agrado social, afinal? Um sequência de provas de que não, eu não abandonei meu filho? Que a minha vida e minhas decisões não deveriam interferir na maternidade que eu quero exercer livremente, sem estar sendo vigiada?

 

Também nunca recebo visitas em férias, finais de semana, nem feriados, nem flores de jardim, homenagem na escola e muito menos os tão protestados itens para casa. E por mais que eu tente forçar minha mente a "é só mais uma data comercial" e "ainda bem que ainda tenho mãe", sim, isso me causa uma sensação que não carrega apenas uma palavra. Óbvio que dói, que entristece. Que outra sensação seria previsível para uma mãe, senão essa?

 

Confesso até estar um pouco cansada de ouvir os amigos dizerem que devo me sacrificar para exercer minha maternidade, algo que é meu direito como MULHER, como mãe, como parte da sociedade, e que a meu ver, não deveria ser um sacrifício. Eu não cometi um crime (e ainda há ressalvas, mesmo que o tivesse cometido). Mas é assim que uma mulher é vista: uma criminosa, uma exilada. E isso eu posso garantir: eu não matei ninguém além de uma antiga Renata que cansou de se submeter à tantos abusos. Que nesses 5 anos, tem se submetido a todo tipo de reação duvidosa frente ao filho, sendo colocada no lugar que as pessoas querem que eu esteja e não no que eu QUERO estar. No meu lugar de mãe, de genitora. Pois olhem só que ironia: eu sou julgada por querer exercer a maternidade. E sou também por um dia, supostamente, "não exercer". Não há um lado, não há um meio termo, para nós, mulheres. O julgamento é em cima do muro. Somos todas julgadas, indiscriminadamente

 

Num universo paralelo, eu me pergunto todos os dias como eu consegui absorver tudo isso sem pirar todo esse tempo, e nesse aqui, são as pessoas que me perguntam. A resposta é: eu vivo de esperança que um dia tudo isso mudará. É o que me segura, é o que me ergue. A dor me paraliza, mas também me move. Afinal… eu ainda acredito num dia que as pessoas enxergarão o quanto essas atitudes, claramente com influências machistas, são nocivas, e a consequência delas de imediato nem sempre acontece. Na maioria das vezes é a longo prazo, com feridas para toda uma vida. A única pergunta que tenho é: até quando?

 

Essa história é a minha. Mas a luta diária é nossa, amigas. Não estamos sozinhas.

 

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