Deixe seus peitos livres!

Já contei aqui no blog sobre a minha saga de sempre para encontrar sutiãs que sirvam em mim. Os anos passam, e a situação só piora.

É o seguinte: eu não sou gorda, nem magra. Peso cerca de 67kg distribuídos nos meus 1,65, mas acredite: boa parte desse peso é concentrado nos meus peitos. Não tenho pernão, não tenho quadrilzão, não tenho bundão. Só… peitos. Então, conseguir modelos que se adaptem ao meu tipo de corpo é sempre um pesadelo.

Pra começo de conversa, as lojas das quais eu tenho possibilidades de comprar (Marisa, Riachuelo) não oferecem modelos específicos para as mais variadas formas que nós mulheres, possuímos.

Por exemplo: você pode ter costas largas e seios pequenos. Mas muitas das vezes, pode precisar de um extensor, que vai resolver o problema de largura, mas alterar o modelo do sutiã. É uma gambiarra que resolve em partes. No meu caso, tenho costas não muito largas, mas visto 48/50 (depende da “marca” – e isso é um outro problema) e o que acontece é que o sutiã fica largo: serve nos seios mas fica subindo pois mesmo o ganchinho no mínimo, ainda fica largo demais.

 

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Mas e aí Vitrola, o que a gente faz? Simples, mas nem tanto: abolir sempre que possível o dito cujo.

Confesso que para mim, tem sido um desafio e tanto. A gente tá totalmente acostumada com a ideia que, peito bonito é peito erguido, redondinho, e, pra fechar com “chave de ouro”: nada de bico. Afinal, que absurdo peito ter bico “aparente”, né? Fora o fato que, mesmo quando você só quer ir até a sorveteria, descabelada e confortável num dia de calor, ir sem sutiã é a prova que você está mesmo disposta a sensualizar. Ê, que bode…

 

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hiperssexualização? imagina!…

 

Mas faz aí, mentalmente mesmo, uma listinha de quantas amigas suas tem peitos erguidíssimos sem nenhuma intervenção cirúrgica,  que já tenha passado dos 25 anos (e óbvio, sem estar utilizando um sutiã com bojo). Hummm… acho que não são muitas, não é mesmo? Não são pelo fato de sua amigas não serem perfeitas: elas simplesmente tem um corpo normal, e cada corpo tem suas próprias características. E a gente ter vergonha disso, soa tão estranho, não é mesmo?

Sem radicalismos, pois afinal de contas, são praticamente mais de 15 anos levada a acreditar que meus peitos tem que ficar escondidinhos com quem está muito incomodado com eles (!!!) e parecer uma bola de futebol redondamente perfeita, eu criei adaptações das quais eu me sinto mais confortável. E eu nem sei explicar pra vocês o quanto eu tenho me sentido livre e confortável… caramba!

 

Dica 1: Invista em roupas que dispense o uso de sutiã

Compre peças já pensando na possibilidade de usá-las sem sutiã. Comecei a investir em blusinhas com babadinhos sobrepostos, blusinhas confortáveis de lycra, etc.  Um exemplo é esse vestido que comprei um tempo atrás. Ele é de um tecido super levinho, ótimo para usar no calor, e consigo usar ele sem sutiã numa boa por ele ter esse tecidinho na parte de cima 🙂

 

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tá vendo meu peito ali? :B

 

Dica 2: Use tops confortáveis

Ao invés de utilizar o tal sutiã cheio de espumas e aros, investir em tops confortáveis. Essa foi dica de uma amiga e eu adorei. Ainda estou à procura do meu, mas já vi para vender em várias lojas online e em diversos tamanhos (inclusive 48/50). Tipo esse aqui:

 

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Dica 3:  Troque seu biquíni!

Obviamente, biquínis também se tornam um dilema. Mas num impulso do destino, outro dia comprei um biquini, desses modelos tradicionais mesmo, sem bojo nem nada, tipo “cortininha”. Por pura ilusão, eu achava que meu seios ficavam bem menores e mais “disfarçados” com biquínis de bojo, e não é bem assim. E o melhor: encontrando do tamanho exato para você, eles vão custar bem menos que um biquini com bojo. Comprei um pretinho que me custou a fortuna de 19,90…

 

Um exemplo (esse é da Demillus, mas vou ter que tentar trocar por um tamanho 50).

 

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🙂

 

Edit// Dica 4: Help nos dias mais quentes!

Lembrei de uma produto maravilhoso e resolvi acrescentar aqui. Algumas amigas já perguntaram #comofaz para quem tem seios grandes no dias mais quentes. Como toda dobrinha que possui um pouco mais de atrito e mais suor, pode causar alguns desconfortos, né? Minha dica é esse talco cremoso da Granado. Eu uso ele até como desodorante (axilas), e gente: maior salvação por um preço bacana! Para mim funcionou suuuuuper bem, ele não fica brigando com o perfume como alguns desodorantes ficam, o cheirinho é bem suave.

 

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E finalmente, a ultima dica valiosa, é… faça o que te faz sentir bem com você mesma. Esse post é apenas uma troca de sugestões com experiências minhas, mas você pode e deve ser feliz como você achar melhor. Mas se quiser mais inspiração, indico muito que assista a esse vídeo:

 

 

 

Agradecimento especial à amiga Paula Grangeiro pela inspiração do post de hoje por causa DESTE VÍDEO.

Gostosa NÃO é elogio

Gostosa não é elogio. E isso não é novidade. Quer dizer, até é. Vindo de uma pessoa muito íntima, num momento muito íntimo (e olhe lá), ou praquela comida que tu fez/comeu e tava … gostosa. Pra cacete. Fora isso, gostosa é só um alarde, uma invasão mais do tipo "epa, pera, quem te autorizou?"

 

Eu vi o desabafo na timeline de uma amiga outro dia, e fiquei triste. Por ela, por mim, e por todas as mulheres que são obrigadas (pois é… achava que tínhamos escolha?) a ouvir isso a coisa pior na rua. Até a coisa menos piores, mas acompanhado sempre de um olhar que chega fazer desejar lá no fundinho ter nascido com super poderes de explodir cabeças. 

 

Os homens se defendem. "Tem mulher que gosta". "Tem mulher que pede". "Tem umas que dão até um sorrisinho". "Eu sou homem, poxa, homem mexe mesmo, não se controla".

 

E aí nós vemos que somos apenas parte de uma roleta-russa, né? Uma hora eles acertam. Azar o nosso se não acertou na nossa vez. 

 

Não vou dizer aqui que tem homem que salva, vejo tão raramente que a memória até falha. Desculpa. Irmão, pai, marido, não importa: todos foram perfeitamente moldados a visualizar mulheres como pedaços. "Olha aquela coxa". "Olha essa bunda". Embora eu seja casada e tenho um relacionamento que vai bem, obrigada, é ÓBVIO que eu ouço coisas que me deixam desacreditada às vezes, e tenho que ter muita paciência, pois olha… não é fácil ser mulher num mundo machista a cada milímetro do nosso corpo e espaço.. 

 

Já contei aqui a historinha traumática de quando eu era criança, esperava uma declaração de amor de um amiguinho que era super fofo e ele apenas elogiou minhas coxas, né? Oito anos de idade, isso em 95. Alguém ensinou pra ele que isso era um baita elogio para uma menina. Os amigos riram. Ele se sentiu rei. Eu tive vontade de chorar e quis sumir.

 

Eu não espero que algum homem entenda ou leia esse recado, já que a maior parte das leitoras do Mulher Vitrola (95%!), é de mulheres. Então,  digamos que isso é uma conversa entre nós, ok? E embora eu ache cada vez mais essa situação um absurdo, foi numa tarde de reflexão que eu tive que aceitar que é um FATO, que vamos tropeçar com isso muitas e muitas vezes por aí e precisamos saber como nos erguer. E para isso temos que estar unidas, e não umas contra as outras. Combinado?

 

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Imagem da campanha "Chega de Fiu Fiu"