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Uma infância inteira (para se envergonhar)

Olha, eu sei que quando somos crianças, por mais ridículas que sejam nossas atitudes, ela vai passar despercebida. Tipo quando eu recortei o Baby da Família Dinossauros da embalagem do biscoito e fiz minha mãe colar no meu uniforme, para orgulhosamente mostrar para os coleguinhas (e futuramente, chegar à conclusão que essa foi minha primeira – e única –  demonstração grotesca de fanatismo.)
Mas isso não é nada perto do bullying que minha mãe cometia com meu irmão e eu nas épocas chuvosas. Bem, fato é que nossa rua, naquela época era de barro. Daquelas que todo mundo tinha pavor de roupa branca porque se sujasse, não tinha dança da chuva que desse jeito. Lama que faz o pneu da bicicleta virar pneu de moto como mágica: diâmetro magicamente aumentado, sim, por la-ma.
Nossa mãe, que tinha uma espécie de TOC com a limpeza de nossos sapatos escolares, fazia com que fôssemos para a escola com sacolas de supermercado envolvidas no tênis. Olha, não parece nada demais, mas era vergonhoso, ok? Eu não sei explicar direito o que eu sentia na época, mas certeza que VERGONHA MASTER era só uma das sensações.

Meu irmão era malandro, e tirava no meio do caminho. Ele tinha uma reputação a zelar, e depois podia dizer que sujou o tênis jogando futebol. “Mas mãe, TODO MUNDO chega com tênis sujo…”. “E daí?… e toma a sacolinha extra pra colocar na volta!”
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                                                            senta e chora, bebê!

A boa vizinhança das redes sociais

81774593 A questão é que quando se trata de redes sociais, não tem professora de etiqueta que dê jeito. Aliás, quem nos educou para as redes? Quase imagino um futuro onde as regras virtuais farão parte dos livros didáticos: “não dê unfollow naquela sua tia”. Não ache estranho… já que existe gente  contratada só para um simpático aconselhamento em redes sociais.

Mas me pego em situações diversas (e entenda também por constrangedoras, como alface no dente). Havia um amigo do marido que sempre frequentava (lê-se: comia e dormia) a minha casa, e um dia eu reparei que ele havia “me eliminado” do seu Facebook. É claro que me questionei o porquê da atitude… mas não foi além disso. Em contrapartida, existem pessoas que falo regularmente, e não as tenho no Facebook (e até mesmo em outras redes sociais) . Estranhamente, não existe nenhuma cobrança com essas pessoas…

As redes viraram uma algema de aturação. A partir do momento em que possuímos alguém, e quanto mais próxima ela foi ou é, mais constrangedor é a simples ação de um “unfollow”. Vivemos hostilmente em comunidade. Não importa se é alguém com quem você briga judicialmente, se possui discussões interminadas, se tem opiniões contraditórias às suas… somos muito mais “pacientes” virtualmente, e um excluir pode muito bem ser o “desconvite” do seu próximo churrasco no fim de semana. Ou em alguns casos, o livramento… será?

E você, sente alguma dificuldade em excluir virtualmente alguém que mantém contato no ‘mundo real”?

Amor nos tempos de bala

 

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Eu sou da época ( e olhem, eu nem sou tão velha assim) que o amor ainda era babaca. Mas eu digo um babaca assim, bonito. Que guardava flor num livro grosso pra ficar passadinho. Que ser anônimo também era ser corajoso, e era um ser esperado, que disparava o coração.

Tinha gente que chorava quando terminava namoro, não tinha essa de sair na balada na próxima semana afogar as mágoas sacudindo com tum-dis-tum-dis. E tinha caderno de música, onde cada refrão desafinado cantado no canto da casa aparentava trazer o amor de volta.

O amor já foi mais piegas. E eu gostava dele. Eu até tento aceitar esse jeito dele, moderno de ser, mas brigo muito por não conseguir aderir. Porque eu ainda prefiro o dolorido do amor antigo. O amor que gruda e diz que ama dizendo mesmo, não nas entrelinhas. Amor que faz coração na areia. Amor além de sms promocional e status no Facebook. Amor “só tenho olhos pra você”.

Eu até acho esse amor novo, rebelde, independente, positivo, inovador, um tanto simpático. Mas, manteiga mole que sou, eu prefiro bem mais o amor nos tempos de bala mesmo.

Psicologia de vitrine

Num momento muito difícil, ouvi de uma pessoa um dos piores conselhos que já ouvi na vida: “você precisa sair, ver vitrines.” Minutos depois,  me peguei imaginando seguindo tal conselho. E cheguei a conclusão que não fazem mais vitrines auto-ajuda como antigamente. Imagine se tal façanha surtisse mesmo efeito nos dias de hoje? Pessoas saindo de casa ou do trabalho, após brigar com o chefe ou o marido, sedentas por vitrines curandeiras… à caça por melhores lugares, e quem sabe, rendendo até um novo emprego: cambista de vitrine. Eunhem. Sinceramente? Ando preferindo a vitrine de frangos…

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                              vai que essa moda sai das vitrines e vem parar na sua vida…