Amores plastificados

Minha mãe tem mania de carregar tudo na bolsa, eu falo que é a Bolsa do Gato Félix. Enquanto eu, a filha caçula, carrega na bolsa o mínimo necessário – celular, câmera, uma bolsa de coração com apenas um cartão dentro, chaves e cadeado da bicicleta –  minha mãe carrega o mundo, e sem querer, descobri que ela carrega literalmente, a vida dela dentro da bolsa.

 

Enquanto ela retirava algumas coisas ( é assim toda vez que paramos em algum lugar e ela tem que pegar algo: pelo menos 5 coisas saem da bolsa até ela achar o que quer), eu não pude deixar de “curiosar” um papel velho de loteria, plastificado, datado de 09 de novembro de 1986. Eu conhecia aquela letra, nunca me esqueceria dela: era a letra do meu pai, numa espécie de SMS escrita dos dois – uma frase dele, outra dela, como uma conversa num papel casual. Ela disse que era assim, às vezes num papel de pão, num espaço em branco do jornal, na carteira do cigarro. Neste caso, num papel de loteria. Coisa de quem não tinha tempo de verdade…

 

Meu pai já é falecido há alguns anos, minha mãe chegou a ser casar de novo, infelizmente não foi tão feliz. Mas guardou o amor, plastificado. Não sei ela teve sorte no jogo, mas descobri que dá para juntar os dois e levar a lembrança da sorte do amor por aí, como um trevo de quatro folhas dentro da carteira…

 

bilhete-de-amor

 

 

“Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida no embalo da rede
Matando a sede na saliva”

57 comentários em “Amores plastificados”

  1. Esses ciscos que insistem em cair quando eu vejo umas postagens dessas…
    Lindo isso. Lindo ter existido um amor assim num mundo tão de cabeça pra baixo.

  2. Amei a almofada! Seu talento é incrível para trabalhos artesanais. Fiquei com vontade aproveitar camisas e fazer capas para as almofadas do meu sofá, mas não tenho a menor habilidade com costura. Parabéns!

  3. Nossa que liiindo isso e que amor esta frase gente, também quero um amor assim
    Me lembrei da minha avó que também tem mania dr guardar o mundo na bolsa e sacolas dela, nunca cheguei a mexer. Pra falar verdade, nao tive coragem de falar pra ela que queria ver o que ela tanto guarda haha

  4. Vitrola…
    Que texto mais lindo, esse seu! A inspiração, a história (real), o gesto dos dois, um amor que ainda existe apesar de tudo!
    Fico imaginando se alguém me ama assim, se alguém faria algo assim por mim.
    Se para alguém esse tipo de atitude, jeito de ser, detalhes são tão importantes como para mim.

    É de pensar, mesmo. E quanta sensibilidade essa sua, viu?
    Obrigada por dividir um exemplo do que todos nós deveríamos não só no casamento, mas em qualquer relacionamento…

    Que saudade me bateu no peito agora. Dos meus pais, que um dia sei que vou rever…

    Parabéns pelo texto viu? Está lindo, porque além de ser real é uma história de amor, tão rara hoje…

  5. Me emocionei… como é lindo o amor!
    Também tenho uma mania parecida. Guardo cartões, cartas e desenhos (que crianças me dão). Vez por outra reviro as caixas e pastas onde os guardo… Outro dia reli a primeira cartinha de amor que meu marido me mandou, tínhamos 14 anos na época e já se passaram 16 🙂 É muito bom relembrar e me faz estar perto de um tempo que se foi sem que eu quisesse deixá-lo.
    Bjus

  6. Nossa aquele momento que você percebe que coisas materiais de alto custo e técnologia jamais substituirão a grandeza da simplicidade e um amor verdadeiro, Lindo mesmo. não sou muito emotiva não mas admito que os olhos encheram de Lágrimas

  7. Emocionou minha tarde, amiga!! Muito lindo isso…
    Essas memórias são marcantes, eu tenho muitas aqui, bilhetes, cartinhas, cartões… pena que o amor se foi… Enfim, coisas da vida!
    Um bj!!!

  8. Nossa, Rê, que lindeza. E eu, que sou manteiga derretida, fiquei com vontade de chorar diante de tanta fofura e de um gesto tão bonito da sua mãe (e do seu pai também, é claro). Fiquei até com vontade de plastificar o amor também, sabe?

  9. aaaaawww que coisa mais linda cara! Achei muito amor esse papel, um simples papel de lotérica com tanto amor…
    Ah eu sou bem paranoica com levar coisas na bolsa, faço o máximo possível pra ela ficar com o mínimo de coisas dentro (até a câmera não carrego mais porque ela é mto pesada, justo eu que amo fotografar!), e quando vou ver tá cheio de papel e porcarias que vou colocando dentro ao longo do dia… HAHA

  10. Que lindo, sabe acho que são essas pequenas coisas que me fazem acreditar no amor verdadeiro. Ter alguém ao seu lado, não é a perfeição como é mostrado nos filmes mas são essas pequenas atitudes que nos fazem levar acreditar que podemos levar tudo até o final.
    Tão romântica a sua mãe <3

    Beijinhos
    http://www.vendesecadeiras.com/

    PS: Minha vó e a minha mãe também são dessas que carregam o mundo dentro da bolsa.

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