amoridade

Dias atrás minha mãe me ligou. Desde que minha mãe mudou-se pra São Paulo, as ligações dela resumiram-se em avisos antecipados de visita ou… uma simples novidade. E, na maioria (ou seria SEMPRE?) eu penso na primeira hipótese. Minha mãe já está com quase 60 anos e tem uma vida calma, vive numa casa simples, numa cidade tranquila do litoral e ela mal sabe pra que serve um computador. Desde que meu pai falecera, desligou-se de algumas atividades, e procurou seu recanto na cidade que nasceu. Parou de trabalhar e afirma ser a igreja e as lanchonetes locais seus “point” de distração. O que poderia acontecer de tão surpreendente na vida dela?

Pois bem, a vida é mesmo cheio de surpresas como todo mundo sabe. Na última ligação, eu percebi que ela havia colocado no viva-voz. Isso queria dizer que havia mais alguém lá, ouvindo a conversa além dela. Eu conseguia ouvir algumas vozes ao fundo, e então perguntei se era minha sobrinha. “Não, não é.” Meus sobrinhos estão aí? “Não, não estão.” última tentativa: “Minha avó, ou minha irmã?” Também, não… errou de novo.” Oras… minha mente alternava um misto de desapontamento, confusão e opções já gastas. Quem seria, então, este ser misterioso? “Filha, eu estou namorando…”, num tom sorridente.

Não é uma coisa que eu ouço todos os dias. É uma coisa que eu via nos filmes, na revista… mas não com a minha mãe.Talvez não saiba descrever a sensação nos primeiros 5 segundos, que foram de silêncio absoluto. Eu não estava enciumada (foi a primeira pergunta que ela fez após a declaração), afinal, eu que sempre dizia que ela deveria seguir em frente, pois era meu pai que havia falecido, e não ela. Que ela devia ser feliz.

Aí então, ela explicou a história. Um reencontro com seu primeiro namorado, depois de décadas, reavivou no coração da minha mãe algo que talvez ela tenha tentado esquecer. Mais uma daquelas histórias de acaso, destino, sabe? É uma antiga história de amor, de espera, de reencontro… daquelas que fazem acreditar que amor existe, que podemos viver clichês sem culpa, que sempre há tempo pra se fazer o que quiser… inclusive, se apaixonar. Mesmo que for mais de uma vez, mesmo que for pela mesma pessoa.

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Um pensamento em “amoridade”