{"id":128,"date":"2012-04-17T18:32:00","date_gmt":"2012-04-17T18:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/mulhervitrola.com.br\/?p=128"},"modified":"2014-12-23T22:29:15","modified_gmt":"2014-12-24T00:29:15","slug":"maternidade-ainda-que-negada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/maternidade-ainda-que-negada\/","title":{"rendered":"Maternidade, ainda que negada."},"content":{"rendered":"<p>Observa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias sobre esse post: \u00c9 um post longo. \u00c9 tamb\u00e9m um post de alerta: \u00e0s vezes, n\u00e3o somos ativas o suficiente. T\u00f4 preparada para ser julgada, o que j\u00e1 ouvi \u00e9 fichinha perto de qualquer coisa que algu\u00e9m poderia comentar aqui. E sim, quem quiser perguntar, pode ficar \u00e0 vontade, n\u00e3o \u00e9 constrangedor.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e sempre ostentou o fato de nunca ter discutido com meu pai na nossa frente. Na verdade, quando haviam problemas, eles sentavam e conversavam. Achava isso lindo. Segundo ela, meu pai nunca a agrediu. Segundo meu pai, se um homem encostasse a m\u00e3o numa mulher, n\u00e3o era homem o suficiente. Coisas que a gente guarda. Pra vida toda. <\/p>\n<p>Pois bem, eu &#8220;casei&#8221;, e tive um lindo filho. Eu n\u00e3o tinha a vida 100% feliz, mas tinha amor. N\u00e3o tinha independ\u00eancia, mas tinha amor. Mas a\u00ed, descobri que o que \u00e9 amor perto de um prato que voc\u00ea n\u00e3o consegue engolir? E eu comecei a me ver por dentro, a observar que parte de mim eu estava esquecendo e deixando de amar. E um clar\u00e3o se abriu. <strong>Enxerguei duramente que nenhuma mulher se ama o suficiente para se submeter \u00e0 um homem que diz que sente tes\u00e3o pela sua amiga<\/strong> (me perdoem o palavreado). E eu acho que o meu amor por mim foi visto por algu\u00e9m que n\u00e3o me amava, e nem a si mesmo.     <\/p>\n<p><strong>Nesse dia, eu virei parte da estat\u00edstica<\/strong>. Das mulheres que quando agredidas fisicamente e verbalmente, perdem os olhos, a boca, o cora\u00e7\u00e3o. Que se calam diante da sociedade que certamente, vai dizer que ela deve ter feito algo, que mereceu. E eu me calei. No dia 3 de dezembro de 2009, ap\u00f3s o ocorrido, eu fui expulsa da casa onde morava, com uma mala pequena com algumas roupas, dinheiro de passagem para Ubatuba e alguns mais para qualquer coisa. Ouvi &#8220;voc\u00ea nunca ser\u00e1 nada&#8221;, entrei no \u00f4nibus e parti, sem sequer conseguir imaginar minha vida dali em diante. Ou talvez, eu nem quisesse pensar. Tudo isso, sem meu filho.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e me abra\u00e7ou na minha chegada debaixo de uma chuva torrencial. Numa casa muito humilde, de 3 c\u00f4modos, me acolheu. Durante 3 meses, partilhei uma cama de solteiro com minha sobrinha, pois sequer havia espa\u00e7o para colocar um colch\u00e3o no ch\u00e3o. Arrumei empregos, eu segui adiante.<\/p>\n<p>Hoje, as consequ\u00eancias desse dia ainda s\u00e3o presentes na minha vida. Eu tenho uma pessoa \u00f3tima do meu lado, meu companheiro, meu apoio, o homem que me respeita e me motiva em tudo que fa\u00e7o. Mas as sombras daquele dia, eu n\u00e3o posso negar, elas nunca foram embora. N\u00e3o tenho meu filho comigo. Em novembro de 2010, me fizeram acreditar que ele ficaria comigo, trouxeram roupas, brinquedos, materiais de escola. E ele ficou, passou quase 3 meses aqui. Obviamente, jamais recusaria o pedido de um pai que quer passar o fim de semana com o filho. E foi a pen\u00faltima vez que eu o vi. A \u00faltima, perto do Joaquim nascer, em junho de 2011 (fui gr\u00e1vida no pen\u00faltimo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o RJ s\u00f3 para v\u00ea-lo). E c\u00e1 estou eu, 10 meses sem ver meu filho. <\/p>\n<p>Apesar de todas as consequ\u00eancias, eu estava ciente do que estava fazendo, embora abalada. Tenho d\u00favidas se teria sido a melhor op\u00e7\u00e3o traz\u00ea-lo naquela \u00e9poca. Eu posso n\u00e3o ter o direito de ficar com meu filho, mas veja bem\u2026 sou uma m\u00e3e que quer pelo menos v\u00ea-lo, falar com ele\u2026 e sou negada disso. Tenho que &#8220;marcar hor\u00e1rios&#8221;, ficar \u00e0 merc\u00ea da disponibilidade de pessoas que se pudesse, nunca teria contato. Em que mundo isso \u00e9 correto? <\/p>\n<p>Para todos os conformes, obviamente, existe um processo em andamento. J\u00e1 lidou com sistema p\u00fablico? Ent\u00e3o sabe bem do que falo. E durante a vida do Joaquim, infelizmente n\u00e3o pude cuidar de nada disso (tudo tem que ser feito no RJ e eu n\u00e3o tinha disponibilidade disso devido aos cuidados especiais com o Joaquim). Resumindo: recome\u00e7ar.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria n\u00e3o acabou. Eu n\u00e3o fa\u00e7o ideia do final que ela poderia ter. No momento, n\u00e3o executo de nenhuma forma meu papel de m\u00e3e: por um lado, um vida que foi interrompida por neglig\u00eancia m\u00e9dica (ou seria pol\u00edtica?), por outro, o impedimento de um curso natural da vida, que \u00e9 o contato materno. Mas, o papel de mulher, eu exer\u00e7o e aprendi: meu voto n\u00e3o \u00e9 lixo, meus direitos existem, minha persist\u00eancia \u00e9 meu ouro. Mas, ao meu ver eu ainda sou <strong>M\u00c3E<\/strong>. Meus filhos s\u00e3o para sempre. E eu n\u00e3o desisto f\u00e1cil. <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>(Fiz esse post-desabafo pensando em todas as mulheres e m\u00e3es que conhe\u00e7o. Nossa luta \u00e9 di\u00e1ria!)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias sobre esse post: \u00c9 um post longo. \u00c9 tamb\u00e9m um post de alerta: \u00e0s vezes, n\u00e3o somos ativas o suficiente. 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Minha&#8230;<a class=\"btnReadMore\" href=\"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/maternidade-ainda-que-negada\/\">Leia mais<i class=\"fa fa-long-arrow-right\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[129],"tags":[171,157,170],"class_list":["post-128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vida-materna","tag-familia","tag-filhos","tag-maternidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":884,"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128\/revisions\/884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}