{"id":16805,"date":"2023-04-26T19:34:37","date_gmt":"2023-04-26T22:34:37","guid":{"rendered":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/?p=16805"},"modified":"2023-04-27T09:37:23","modified_gmt":"2023-04-27T12:37:23","slug":"arte-criatividade-portas-abertas-e-pasolini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/arte-criatividade-portas-abertas-e-pasolini\/","title":{"rendered":"Arte, criatividade, portas abertas e Pasolini"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Talvez pare\u00e7a estranho o que vou dizer, mas se um dia voc\u00ea me enviou alguma carta, visitou algum lugar comigo ou me deu algum presente, <strong>existe uma grande chance de eu ainda ter algum fragmento disso guardado<\/strong>. R\u00f3tulos de chocolate, bilhetes, ingressos, cart\u00f5es de visita de amigos artistas: <strong>eu guardo quase tudo<\/strong> que, afetuosamente, me faz lembrar lugares, pessoas ou situa\u00e7\u00f5es. E de vez em quando gosto de revisitar, mesmo se for para lembrar de quem nem deve lembrar que eu existo. \u00c9 mais que apenas uma lembran\u00e7a de algu\u00e9m: \u00e9 uma lembran\u00e7a f\u00edsica de um sentimento bom.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Abri as seis caixas arquivo que possuo como parte da tarefa de uma das aulas da minha amiga e professora <a href=\"https:\/\/www.algumasobservacoes.com\/p\/cursos-e-mentorias.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernanda<\/a>, da oficina de <strong>Escrita Criativa<\/strong>, com intuito de planejar um acervo de inspira\u00e7\u00f5es e refer\u00eancias. Durante a organiza\u00e7\u00e3o dos &#8220;fragmentos&#8221; &#8211; que j\u00e1 beirava o intermin\u00e1vel &#8211; , encontrei um encarte de quando Lohan e eu fomos \u00e0 uma exposi\u00e7\u00e3o do <strong>Portinari<\/strong>, no ano passado, no <strong>CCBB<\/strong> aqui do RJ. Sair de casa \u00e9 algo raro, ainda mais se for para se deslocar da Baixada Fluminense at\u00e9 o centro da cidade. Sempre rola todo um planejamento, uma ansiedade para mais um (raro) passeio cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">No sagu\u00e3o de entrada do CCBB, nos deparamos com cartazes sinalizando uma exposi\u00e7\u00e3o que acontecia no mesmo dia, do fot\u00f3grafo e cineasta <strong>Paolo Pasolini e Paolo Di Paolo<\/strong> &#8211; sim, parece at\u00e9 um traval\u00ednguas e isso at\u00e9 hoje \u00e9 uma piada interna por aqui. Sei quem \u00e9 Pasolini, mas nunca assistimos nada dele. Mesmo assim, ficamos atra\u00eddos a visitar a exposi\u00e7\u00e3o antes de entrar no sal\u00e3o do Portinari. Entramos acanhados, como sempre me sinto quando visito algum artista sem saber pouco ou nada a respeito dele: me sinto cometendo um crime, uma fraude. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 como se algu\u00e9m fosse descobrir e julgar minha ignor\u00e2ncia, me expulsar e isso consuma me causar um desconforto inicial. Depois os pensamentos se ajeitam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A exposi\u00e7\u00e3o do Pasolini era simples: um \u00fanico sal\u00e3o com alguns textos e muita fotografia, obviamente. Nenhuma ilumina\u00e7\u00e3o nem decora\u00e7\u00e3o especial, apenas a luz que entrava pelos janel\u00f5es do tradicional pr\u00e9dio do CCBB iluminando os pain\u00e9is e o inebriante cheiro de madeira antiga ultra-lustrada com algum \u00f3leo de peroba ou coisa do tipo. Havia apenas n\u00f3s e uma mo\u00e7a e o sal\u00e3o estava <strong>absurdamente<\/strong> silencioso. De certa forma, isso me tranquilizou e me deixou mais \u00e0 vontade. Uma paz memor\u00e1vel tomou conta de n\u00f3s. Apreciamos a exposi\u00e7\u00e3o com muita serenidade e encanto pelas fotografias. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"409\" src=\"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1-620x409.png\" alt=\"orto di Messina, 1959 \u00a9Archivio Fotografico Paolo Di Paolo\" class=\"wp-image-16806\" srcset=\"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1-620x409.png 620w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1-300x198.png 300w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1-768x507.png 768w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1.png 1122w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">orto di Messina, 1959 \u00a9Archivio Fotografico Paolo Di Paolo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Ao pegar o encarte em m\u00e3os novamente, fui transportada para a lembran\u00e7a do sentimento pac\u00edfico daquele dia. Coincidentemente, <strong>mais tarde e no mesmo dia<\/strong>, Lohan mencionou sobre a exposi\u00e7\u00e3o e a paz que sentiu, mesmo sem eu ter dito qualquer coisa a respeito do reencontro com o encarte e minha visita mental a esse epis\u00f3dio em especial. <strong>Como se a minha lembran\u00e7a e o sentimento que revisitei tivessem sido t\u00e3o intensos que emanaram-se pelos c\u00f4modos da nossa casa e fossem alojados para muito al\u00e9m das nossas mem\u00f3rias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Juro n\u00e3o ser balela de artista, mas eu posso garantir que quando deixamos aberta a porta para receber a arte em nossas vidas, ela nos recebe e conduz a experi\u00eancias para al\u00e9m das nossas expectativas, nos presenteando com uma vasta cartela de emo\u00e7\u00f5es. Tudo que tenho como refer\u00eancia art\u00edstica \u00e9 al\u00e9m de apenas conhecimento t\u00e9cnico: s\u00e3o sentimentos, lembran\u00e7as, surpresas e claro, momentos pl\u00e1cidos como fotografias de Pasolini. \u00c9 sempre sobre destrancar portas, permitindo entradas e cria\u00e7\u00e3o de lembran\u00e7as. Ser surpreendido pela arte n\u00e3o \u00e9 para desprevenidos: <strong>\u00e9 para humildes corajosos. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"595\" height=\"411\" src=\"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16807\" srcset=\"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-2.png 595w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-2-300x207.png 300w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pappagalli a Viareggio, 1959 \u00a9Archivio Fotografico Paolo Di Paolo<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez pare\u00e7a estranho o que vou dizer, mas se um dia voc\u00ea me enviou alguma carta, visitou algum lugar comigo ou me deu algum presente, existe uma grande chance de eu ainda ter algum fragmento disso guardado. 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