{"id":9533,"date":"2019-07-01T20:37:47","date_gmt":"2019-07-01T23:37:47","guid":{"rendered":"http:\/\/mulhervitrola.com.br\/?p=9533"},"modified":"2019-07-01T20:38:54","modified_gmt":"2019-07-01T23:38:54","slug":"os-escritores-nao-sao-como-nos-filmes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/os-escritores-nao-sao-como-nos-filmes\/","title":{"rendered":"os escritores n\u00e3o s\u00e3o como nos filmes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma fase dessas a\u00ed, era &#8220;must&#8221; usar a palavra <em>must<\/em> e fazer um curso de datilografia. Por\u00e9m, cresci numa fam\u00edlia de quatro pessoas em que o foco era fazer as compras do m\u00eas no supermercado Torrebela e roupas na C&amp;A uma vez ao ano, para as festividades. <strong>Um curso de datilografia n\u00e3o estava nos planos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembro do meu pai argumentando que m\u00e1quinas de escrever se tornariam obsoletas num futuro n\u00e3o muito distante dali. &#8220;em breve as pessoas ter\u00e3o apenas computadores&#8221;. Eu n\u00e3o fazia ideia de onde meu pai havia visto um computador, j\u00e1 que at\u00e9 aquele ano o m\u00e1ximo de contato tecnol\u00f3gico que eu tive foi um Pense Bem, trancafiado numa prateleira de vidro grosso em uma loja de brinquedos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato \u00e9 que eu acreditava que, <strong>a partir do momento que eu manuseasse uma m\u00e1quina de escrever, eu me tornaria uma escritora<\/strong>, e vi nessa negativa um sonho derreter atrav\u00e9s dos dedos<strong>.<\/strong> Logicamente, em 1993 eu montava livros com um amontoado de folhas grampeadas e desenhadas por mim, sonhando com o dia que c\u00f3pias &#8211; que eu n\u00e3o fazia IDEIA de como eram feitas &#8211; chegavam \u00e0s ansiosas m\u00e3os de meus leitores-f\u00e3s, cada um com sua c\u00f3pia devidamente autografada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os filmes sempre colaboraram para todo esse deslumbre on\u00edrico: a vida dos escritores sempre retratada com um glamour que me fazia viajar: sab\u00e1ticos solit\u00e1rios em casas pr\u00f3ximas a lagos, em invernos que nunca teremos (ou queremos).  M\u00e1quinas de escrever \u00e0 meia luz acompanhado de uma ta\u00e7a de vinho, normalmente no sexto andar de um pr\u00e9dio de uma cidade noturna e ca\u00f3tica. Ou um <strong>notebook com carga infinita que liga velozmente no meio da noite diante de uma inspira\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> A realidade de escrever um livro, amigos, \u00e9 um chute na produtividade e um abra\u00e7o gostoso e peludo na procrastina\u00e7\u00e3o. Desde que me propus ao meu projeto, sigo sendo estapeada por todos os clich\u00eas do escritor, desde os mais aconchegantes at\u00e9 os mais rid\u00edculos, sem cerim\u00f4nia alguma de admitir. <strong>A marmita do dia seguinte precisa ser feita, o sono me vence durante a semana e todos os projetos acabam sendo colocados numa caixa mental<\/strong> para ser aberta obrigatoriamente e vergonhosamente somente quando algu\u00e9m pergunta &#8220;<em>e a\u00ed Re, e o livro?&#8221;.<\/em>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">QUALQUER\u00a0outro\u00a0projeto de visita\u00e7\u00e3o lunar se torna mais pr\u00f3ximo e f\u00e1cil que n\u00e3o seja escrever o bendito livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem. Ainda continua nos planos. Mais que o curso de datilografia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> <br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"3712\" height=\"2088\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/mulhervitrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/SAM_1556.jpg?fit=620%2C349\" alt=\"\" class=\"wp-image-9534\" srcset=\"https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/SAM_1556.jpg 3712w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/SAM_1556-300x169.jpg 300w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/SAM_1556-768x432.jpg 768w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/SAM_1556-620x349.jpg 620w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/SAM_1556-1110x624.jpg 1110w, https:\/\/mulhervitrola.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/SAM_1556-528x297.jpg 528w\" sizes=\"(max-width: 3712px) 100vw, 3712px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma fase dessas a\u00ed, era &#8220;must&#8221; usar a palavra must e fazer um curso de datilografia. 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