A fábula do blogueiro inalcançável

Eu devo ter nascido tímida. Tapado minhas partes assim que saí da barriga da minha mãe (que foi cesária, julguem ela!), ruborizada e dito “olha para lá, dotô!“. Eu era a criança que ficava muda quando alguém falava comigo, e minha mãe dizia “Renatinha, responde! Vão pensar que o gato comeu sua língua!“. E também era a criança que os pais colocavam para falar com os parentes ao telefone, eu coçava a cabeça num gesto de inquietude e só balançava a cabeça negativamente e positivamente, diante das perguntas do outro lado da linha…

 
 

Meus pais me criaram praticamente numa caixinha. Quando criança, não conversava com garotos, não beijava garotos (mas beijei uma menina e sou hétero, chupem essa conservadores!), não ficava com os garotos. E um dia, eu cheguei a pensar que era inalcançável. Sentava na janela à espera de alguém que escalasse a torre, me resgatasse, que quebrasse os vidros, tirasse as correntes… e eis o prêmio: euzinha. Baita de uma menina tola, isso sim.

 
 

É claro, isso não durou muito. Bastou a primeira decepção amorosa para que os papéis se invertessem. E lá estava eu, mandando para os quintos dos infernos a versão menininha inalcançável e pegando com gosto o papel de “Maomé, de quatro, vai até a montanha”. Desejei que explodissem todas as versões de princesas à espera do príncipe do cavalo branco. E que eu não pensaria tanto: eu diria sim. Eu virei acessível. Eu fiz novos amigos. E não, eu não perdi minha essência tímida (infelizmente).

 
 

Hoje em dia, tenho preguiça de gente que mesmo com tanta tecnologia disponível, vive fora da órbita, e que deixou de lado o que chamamos de “reciprocidade”. Preguiça de gente que não responde, que não diz que sim nem que não. E a cada depoimento de um amigo (caso recente, aliás), que simplesmente se decepciona com pessoas que ainda vivem dentro dessa torre – que aparentemente, não tem wi-fi e nem espelho – , eu me pergunto se a educação acabou ficando em último lugar. Afinal, a não ser que você seja o papa ou um famoso cantor de rock (e olhe lá!), ninguém pode ser tão inalcançável, tão inacessível… imagina então,  sendo… blogueiro? Sei não…  melhor pararem de engolir essas coroas no café da manhã, tipo… JÁ!

 
 
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Se você for a Cher, também pode.

 
 

pssssit: E pra quem quiser me dar um “oi” (adivinha só? eu respondo!), tem meu Facebook, meu Twitter e meu e-mail. E ainda mostro a cara (e os gatos) no Instagram, sem medo de vocês acharem minha vidinha medíocre e normal.

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