Cena Feminina

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Desabafo: Vendedores não sabem vender (bem)

Praticamente fiz este post após ter visto no cinema “O Lobo de Wall Street” (que por sinal é excelente, assistam!), mas eu iria acabar fazendo esse desabafo vez ou outra por aqui – certamente se você é meu amigo, já o ouviu de mim vez ou outra. A questão é: porque existem tantos vendedores (foca na profissão: VENDEDOR) que não tem interesse em vender? Porque me sinto numa loja de departamento sem estar numa loja de departamento?

 

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Seguinte: eu tenho uma certa dificuldade com alguns itens do dia a dia. Pontos a mais para sapatos, bolsas e sutiãs.  O problema é meu pé, minha coluna e usar 48. Então, dias atrás, cansada de gastar dinheiro em 5 sapatos que juntos não dão 1, decidi entrar numa loja legal (lê-se: ótimos sapatos que custam os olhos da cara) e encontrar um modelo fresquinho e confortável DE VERDADE. Olha, admito que os números na etiquetinha me balançaram um pouco. Mas a atendente era tão simpática, me ajudou a encontrar o modelo perfeito com a maior paciência do mundo. Levei. Não me arrependi e voltarei lá mais vezes. Doeu no bolso, mas pelo menos não doeu nos meus pés.

 

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você nasceu pra miiiiim, eu nasci pra vocêêêêê ♫

 

No mesmo dia, mais tarde, entrei numa loja na tentativa de encontrar uma bolsa que me cativasse. Vejam bem, umas das minhas duas bolsas de ir-no-supermercado-ou-no-cineminha já arrebentou a alça, minha sogra costurou e agora eu perdi o puxador do zíper. Ou seja: já sabem o motivo de eu não ter hábito de fazer look do dia, né? Pois bem.

 

Do outro lado da loja, uma vendedora com feição de “eu tenho mesmo que te atender?“. Eu chamo para perguntar de um modelo, ela se aproxima, com uma voz fraca, insegura. Uma feição pálida e desencorajada. Eu cheguei a sentir pena por alguns minutos, mesmo sem saber explicar muito bem o motivo (o cachorro morreu? a chefa está na TPM? virose?). Explico o que quero: bolsa simples, alça confortável e poucos bolsos. Em outras palavras: pau pra toda obra. Ela aponta: “Tem aquela ali da Ivete…“. Aham…

 

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sou toda ouvidos.

 

Vejam bem, é uma famosa franquia conhecida por produzir BOLSAS. No meio de tantas opções, minha bolsa é apenas uma MC Pocahontas entrando na festa da Valesca Popozuda. Eu disse de bicicleta? Excepcionalmente, neste dia, eu não queria um abraço, um “você é importante”, ou “eu sei como você se sente”. Queria encontrar uma bolsa, pagar e ir embora.  Antes que me enforcasse com a alça da mochila mais próxima, resolvi sair da loja. Vai que pega?

 

O mesmo vale quando vou comprar sutiãs. Quem usa de 48 pra cima sabe bem que:

 

1) esse número fica na sessão plus size, não importa se você não for plus size;

2) se não estiver na sessão plus size, certamente virá com uma alça que vai arrancar seus dois braços fora numa vibe exploitation;

3) desapegue da beleza. provavelmente se você morar com a sua avó e ela usar 48, vocês terão sutiãs semelhantes.

 

E toda vez que vou perguntar: “onde estão os modelos 48?” Me olham com cara de como eu quisesse esconder meus peitos com 4 números acima do meu. E aí me mostram um 44: “Esse deve servir em você“. INSENSÍVEIS! *chora*

 

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tá de brincation with me?

 

Em tempo: eu sei, eu sei. Existem lojas que vendem lindos sutiãs 48. Mas eu moro em Ubatuba, não compraria online sem experimentar e ainda tô me recuperando psicologicamente do que paguei na sandália… tnham paciência comigo!

 

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Donas de casa e o feminismo


 
 

Há um tempo atrás, no Facebook, eu havia feito um post que rendeu muitos comentários. Alguns deles foram posteriormente apagados, mas levantaram um questão que achei de muita importância: É possível ser "dona-de-casa" e feminista? E quase tão rápido quanto à minha dúvida, encontrei um ótimo post – em inglês – e tomei a liberdade de postar alguns trechos aqui no blog (se seu inglês é ok, não deixe de conferir o post original, deve estar muito melhor que essa tradução mediana que adaptei, rs). Lembrando que, decidi compartilhar este post pois achei de grande esclarecimento para mim, com observações muito bem colocadas, e acredito que seja do esclarecimento de muitas que acompanham o blog também.

Sobre o título do post, confesso: o termo "dona de casa" nunca me agradou muito, me sinto como se fosse inteiramente responsável de algo que sequer é meu (já que moro de aluguel, então não faria sentido…) Mas por falta de um termo melhor – embora já tenho ouvido uns super criativos, como CEO do Lar – , foi esse mesmo.

 feminista

Boa leitura!

 
 
"Algo tem me incomodado por algumas semanas e veio à tona: É a ideia de que não se pode ser uma esposa/dona-de-casa e mãe e uma feminista. Esse pensamento veio mais a partir de conversas que tive com várias mulheres. Primeiro de tudo, eu quero definir o termo "feminista". Eu acredito que uma feminista acredita que homens e mulheres são iguais. Isso não quer dizer que são os mesmos, isso não significa que as mulheres têm de agir como homens e vice-versa, isso não significa que eu odeio homens ou acho que eu sou melhor do que um homem, ou que uma mulher precisa de um homem como um peixe precisa de uma bicicleta. Acontece que eu amo os homens, crio dois deles, e eu estou orgulhosa disso.
 
 

Como feminista, eu acredito que as minhas antepassadas abriram o caminho para me dar a opção de fazer e ser o que eu queria. Se eu escolhi ser uma CEO, eu poderia fazer essa escolha. Se eu quisesse nunca me casar e viver uma vida muito eclética, eu também teria essa escolha. Mas eu também tenho o direito de escolher ser uma mãe e "dona-de-casa" e, ao fazer isso, isso não significa que eu acho que os homens são superiores às mulheres, que o lugar da mulher é em casa, ou que eu sou menos porque eu escolhi para estar em casa para ficar com os meus filhos. Isso costumava ser do tempo emr que as mulheres tinham muito pouco em termos de escolhas e ser uma dona de casa foi um deles. Mas só porque, uma vez na história, foram obrigados a ficar em casa não significa que o trabalho não era importante.  Mas eu não acho que só porque eu sou uma feminista, significa que eu tenho que ter um trabalho fora de casa.
 
 

Enquanto estamos falando sobre ter empregos fora de casa, podemos definir o que isso significa? Porque eu acho que a definição mais comum de 'trabalho' significa 'salário'. Mas se mudarmos essa definição para significar "algo que alguém faz para melhorar a sua vida ou a vida de outras pessoas", como "trabalho", em seguida, abre-se um novo mundo para a dona-de-casa/ mães. Por exemplo, eu considero o meu blog como um "trabalho". E ser uma mãe/ dona-de-casa é "trabalho". Só porque alguém não recebe um cheque de pagamento não significa que não é trabalho!

 
 

Francamente, eu detesto os rótulos 'dona-de-casa "ou" trabalho fora-da-casa ". Nós todos não vamos sair de casa em algum momento? E o que dizer de mulheres que podem fazer o seu trabalho de casa? Elas tecnicamente não trabalham fora de casa. Talvez por isso, é hora de encontrar alguns rótulos melhores para o que fazemos

Então, porque é que há a ideia de que uma dona de casa não pode ser feminista? Eu realmente não tenho uma boa resposta, porque na minha opinião, eles são ideais totalmente compatíveis. Acho que é fantástico que eu tenho a opção de ficar em casa com meus filhos, e são as mães que querem ficar em casa e não podem devido a questões monetárias, são quem as feministas devem estar ajudando. Eu acredito que é o meu trabalho, como uma feminista, apoiar minhas irmãs e descobrir maneiras de ajudá-las, para continuar a reunir para todas as mulheres para serem capazes de escolher seus próprios caminhos, e para ser a melhor mãe que posso ser. Isso é feminismo, e eu tenho orgulho de me chamar de feminista e uma "dona de casa". Portanto, a resposta à minha pergunta inicial é sim, é possível ser dona de casa e uma feminista."

 
 
Bethany Herwegh

E então, qual a opinião de vocês? 
 

Um maiô pela auto-estima

bayEu cismei de comprar um maiô. E, assim saí de casa, destinada a entrar numa loja, encontrar o maiô dos sonhos e correr na praia feito Pamela Anderson (pelo menos na minha imaginação…). Mas como sempre, espectativas e realidade é tipo raspadinha barata: às vezes até dá alguma coisa, mas bem menos do que você imaginava.

Debaixo de um sol quente, entrei na loja esbaforida e certa de ter perdido alguns quilos, inclusive. Tive certeza disso até perguntar para a atendente: “Você tem um maiô, assim, mais moderno?”. Disse assim pois havia uma senhora perto… porque na verdade com vendedoras, em sua maioria você precisa ser o mais objetivo possível. E minha descrição seria “Olha, eu não quero parecer uma senhora de 70 anos! Entendeu?”.
Ela fez um contorno rapidamente em minha imagem, e soltou: “Para gestante???”
Ok.
Ok.
Ok.
COMO assim para gestante? Soltei um “não!” fraco, mas na verdade porque havia perdido o fôlego tamanha indignação.  Enquanto ela procurava o maiô, olhei para minha circuferência abdominal e constatei que talvez ela não estivesse tão errada… mas… grávida? Ai.
Ela trouxe o maiô. Não, não era bonito. Antes de sair, comentei: “Acho que mudei de idéia. Vou comprar um biquíni mesmo. Já tenho um em vista numa outra loja. Obrigada, tchau.”
Pela primeira vez na vida, me incomodei por me sentir incomodada com meu corpo. Desencanei. E só para constar… sim, eu comprei o biquíni. Lindíssimo. Só não corri na praia, sabe como é, né…

Use calcinha bege

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Sem medo de ser feliz.

 

Em alguma colocação ordinal nobre, uma das frases que mais devo ter ouvido é “homens são todos iguais”. Um boato circulava na maternidade em que um dos maridos-pais trouxe a uma paciente recém-mãe flores, muitas flores. E, o tal homem,  peculiar e misterioso, ganhou o título de “homem raro”, e virou assunto para 5 dias dos 9 em que lá fiquei.

 

Por tantos dias, fui obrigada a pedir ao marido trazer roupas extras. E isso incluiu dolorosamente lingeries. Fui desfazendo a bolsa trazida por ele devagar, deixando por último e aumentando a minha aflição. E lá estava: uma calcinha que não era minha. Antes que se assustem, minha sogra havia tirado alguns dias para cuidar da casa na minha ausência… então vocês entendem né? A calcinha era dela.

 

Por alguns minutos, me revoltei solitária: o que foram aquelas horas infinitas de escolha discreta nas lojas? E a abdicação de uma calcinha bege, sem costura, em tamanho e conforto ideal e preço promocional? E a resistência sofrida à alergia a renda? Porque, deuses, pra quê?

 

Alguns homens podem ser diferentes. Mas em se tratando de observar (ou seria “des” observar?)  lingeries, minhas amigas – beges ou não – eles são todos iguais.