complexo de Dorian Gray

Como vocês lidam com o amor próprio? Com a autoestima lá no céu, sendo felizes exatamente como são, ou com aquela angústia no peito de quem não consegue se sentir confortável dentro da própria vida? É fácil gostar de sim mesmo quando um monte de outras coisas direciona a gente para o contrário? Quem conseguiu superar uma dessas fases em que nossa autoestima tá lá no pé? Quem sofre com isso?

Eu fui a felizarda que teve que lidar durante toda minha vida com o bichinho da auto-estima. E quem me dera, que ela estivesse sempre ao meu lado. A hoje menina-quase-bem-resolvida-cheia-de-opiniões, quase já fez xixi nas calças de tanta insegurança. Já chorou e já bateu no espelho por se achar a ùltima das criaturas, bebeu e ficou de porre quando descobriu que as coisas podem não sair sempre perfeitas. Um dia, a ficha caiu. Cansei da guerra. Resolvi buscar a mãozinha lá de dentro pra me erguer. Olhei pro espelho e quis aprender a aceitar que aquela imagem ali, que demorou tanto e tanto para formar-se, me pertencia. Vez ou outra, bate aquela insegurança, claro, eu me permito… mas xixi, eu não faço mais!

Texto para Tudo de Blog.

“Sou a única pessoa no mundo
que eu realmente queria
conhecer bem”
Oscar Wilde

eu tento, juro.

Sabe todas aquelas coisas que você queria ? Ser mais simpática, deixar a casa mais arrumada pra não ter que sair correndo toda vez que a moça da dengue chegar, esquecer um pouco a maquiagem e preocupar-se realmente com sua pele (isso inclui usar protetor solar todos os dias, coisa que todo mundo diz que faz… faz mesmo?). Queria que minhas calças favoritas nunca ficassem surradas só porque ignorei os ensinamentos da mamãe de como lavar roupa da maneira correta. Ter um bundão maravihoso e acordar sem bafo, também.

Mas eu só consigo rir quando não é pra rir (e não diga: ‘isso é dom de felicidade!” isso é micante, acreditem), consigo dobrar o pé na rua mesmo de chinelo, fazer três coisas ao mesmo tempo (poder sobrenatural que as mulheres-mães adquirem), ficar no computador enquanto deveria estar lavando a louça, ser tão atrapalhada que até o Pedro pensa “mamãe tá enrolada” e fingir que canto em inglês quando mal sei pronunciar o nome da música. Eu sou loucamente normal. Mas eu juro que tento.

em tempo: daqui a 9 dias é aniversário de 4 anos do Pedro… queria também que meu bebê não crescesse tão rápido… snif.

amoridade

Dias atrás minha mãe me ligou. Desde que minha mãe mudou-se pra São Paulo, as ligações dela resumiram-se em avisos antecipados de visita ou… uma simples novidade. E, na maioria (ou seria SEMPRE?) eu penso na primeira hipótese. Minha mãe já está com quase 60 anos e tem uma vida calma, vive numa casa simples, numa cidade tranquila do litoral e ela mal sabe pra que serve um computador. Desde que meu pai falecera, desligou-se de algumas atividades, e procurou seu recanto na cidade que nasceu. Parou de trabalhar e afirma ser a igreja e as lanchonetes locais seus “point” de distração. O que poderia acontecer de tão surpreendente na vida dela?

Pois bem, a vida é mesmo cheio de surpresas como todo mundo sabe. Na última ligação, eu percebi que ela havia colocado no viva-voz. Isso queria dizer que havia mais alguém lá, ouvindo a conversa além dela. Eu conseguia ouvir algumas vozes ao fundo, e então perguntei se era minha sobrinha. “Não, não é.” Meus sobrinhos estão aí? “Não, não estão.” última tentativa: “Minha avó, ou minha irmã?” Também, não… errou de novo.” Oras… minha mente alternava um misto de desapontamento, confusão e opções já gastas. Quem seria, então, este ser misterioso? “Filha, eu estou namorando…”, num tom sorridente.

Não é uma coisa que eu ouço todos os dias. É uma coisa que eu via nos filmes, na revista… mas não com a minha mãe.Talvez não saiba descrever a sensação nos primeiros 5 segundos, que foram de silêncio absoluto. Eu não estava enciumada (foi a primeira pergunta que ela fez após a declaração), afinal, eu que sempre dizia que ela deveria seguir em frente, pois era meu pai que havia falecido, e não ela. Que ela devia ser feliz.

Aí então, ela explicou a história. Um reencontro com seu primeiro namorado, depois de décadas, reavivou no coração da minha mãe algo que talvez ela tenha tentado esquecer. Mais uma daquelas histórias de acaso, destino, sabe? É uma antiga história de amor, de espera, de reencontro… daquelas que fazem acreditar que amor existe, que podemos viver clichês sem culpa, que sempre há tempo pra se fazer o que quiser… inclusive, se apaixonar. Mesmo que for mais de uma vez, mesmo que for pela mesma pessoa.