Dois palitos para a direita

Afinal, o que tem de tão surpreendente em ser traído que você já não tenha visto antes?

Acordei bem cedo e fiquei pensando numa teoria que minha mãe adora dizer e que eu acho ótima a respeito de trair/ser traído: quem quer, move dois palitos dentro uma caixa de fósforos e simplesmente, arruma espaço para tal façanha.

Trair não exige um manual muito elaborado, a julgar pela inteligência quase inexistente em todos os meus ex-parceiros. Geralmente, a traição sempre é “descoberta” e nunca sabemos se isso faz parte de um fetiche – há quem seja mui adepto, eu garanto – ou só falta de esperteza ao encobertar fatos, mesmo. Para tal, nunca precisei utilizar meu diploma de Sherlock Holmes com pós graduação em CSI, infelizmente.

Agora, o SER traído é catastrófico. Galhudo, corno, chifrudo: a sociedade nunca perdoou o traído, os adjetivos não são nada criativos e o apoio moral é de discreto a nulo. Quase ninguém se compadece da vítima, nem mesmo os futuros cornos. Não existe vacina eficaz contra o contágio, e não é como catapora: quem pegou uma vez, pode pegar mais vezes (diz a lenda que é quase certo, inclusive). Não existe sequer padrão de beleza (Grazi Massafera que o diga), status social (queria eu curar minhas dores de corna numa banheira com taça de vinho, mas enfim) ou se você passa no débito ou no crédito. Os sintomas são geralmente bem óbvios e clichês como um filme do Woody Allen.

Também já estive do outro lado da história, numa relação não tão séria, mas mesmo assim, sinceramente, a impressão que tive foi de saborear uma fruta suculenta com final amargurado. Não gostei. Há quem precise ter esse sabor com certa frequência para se sentir vivo e rolar uma identificação com a alma e por outras coisas que não me deu tempo de entender, mas, eu gosto de me olhar nos espelhos. Vejo um defeito aqui e ali (ok, talvez visualmente eu veja MUITOS, mas isso é assunto pra outro post), e também gosto da ideia de deitar a cabeça no travesseiro e ter outros tipos de inquietações, como por exemplo, imaginar a Angelina Jolie chamando o nome de todos os filhos até chegar no filho certo ou num sistema eficaz que tire definitivamente a internet das mãos de gente instruída que acredita em fake news.

Mas, tem gente que prefere a mediocridade de viver a vida perigosamente em caixas de fósforo e a única benfeitoria, admito, é fazer girar a industria fonográfica da sofrência – nada mais justo. A conclusão pra gostar de tanto aperto semi-explosivo, eu deixo para a ciência. Hoje eu ainda vou dormir, sem galhos, assim espero.

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