Homem Nu

Eu lembro que aos 12 anos de idade, meu auge de conhecimento sexual era baseado nas revistinhas do Ari Toledo que lia escondido da minha mãe. Eu sequer entendia um grama daquelas centenas de palavrões, mas sabia que eram sobre sexo.
Apesar de super liberal e aberta à perguntas e diálogos, decidi que não perguntaria certas coisa para minha mãe. Então comecei a comprar revistas Querida e Caricia. Essas revistas, voltadas ao público adolescente, continham assuntos variados, e entre eles, o que mais me interessava: dúvidas sobre sexo.


Até então, só tinha lido matérias sobre ficar ou não, primeiro beijo, camisinha…
Num belo dia de inverno, fui na banca comprar mais uma edição e corri para o quarto com minha edição novinha de Carícia. Assumidamente ansiosa para que chegasse logo minha seção favorita, me deparei com uma foto inesperada: a foto de um homem nu. Peladinho. Da Silva. E frontal, ainda por cima. Por essa eu não esperava.

Não era nada Hustler feelings, óbvio. Era na verdade um foto muito bonita. Mais parecia aquelas estátuas de Michelangelo, sabe? Não aparecia o rosto, mas dava para ver que era um homem de cabelos enrolados até o ombro. Havia uma sombra que cobria uma parte do corpo, e na outra parte era evidente todas as linhas que o formavam.


É claro que, como adolescente e desconhecida de muita coisa, imaginei que aquilo fosse a representação de todos os homens nus. Pelo menos dos que eu gostaria de imaginar, claro. E na semana seguinte, quando fui para escola e trombei com um paquerinha da época, da maneira mais ingênua do mundo, só consegui pensar: “te vi sem roupa na revista…”


                David-black-Michelangelo-Fl

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