Skip to content →

Blog da Vitrola Posts

Gostou? Então compra

Não tem muito tempo que comecei a participar de feiras – locais e em outras cidades – e não tem muito tempo também que hoje em dia, pondero um milhão de vezes, pois nem sempre é um baixo investimento. Já participei de feiras em que saí com o triplo do valor de tudo que investi e já houveram feiras em que eu tive tanto prejuízo com a falta de retorno que quase fiquei sem pagar o aluguel. Infelizmente, esta segunda aconteceu mais vezes.

Uma das inúmeras feiras que participei

Mas vamos falar de coisas que a maioria de nós artistas temos vergonha de falar: você gostou e achou muito linda mesmo esta arte? Então leva. Ela não tem um valor inestimável, não tô vendendo a Monalisa. Certamente, é um valor que alguém – e talvez, seja você – consegue pagar.

Elogios são um grande estímulo, porém não é tudo. Assim como likes não dão dinheiro (não necessariamente), apenas elogios também não pagam as contas (eu adoraria). Quando um artista se dispõe a participar de uma feira ou coloca um produto para vender, o investimento já ocorreu. O produto foi feito, o tempo foi gasto, a expectativa de venda foi criada.

Aí tem o passeadores de feira. Aqueles que surgem lindos, descolados, com seus tênis que custam meu aluguel + a ração dos 5 pets e saem de lá com as mãos abanando. Já participei de feiras em que as pessoas ficavam horas elogiando meu trabalho e não levavam… nada. Nem um adesivinho que costumo vender nas feiras por 1 real cada. Um kit com 3 ímãs sai a 10 reais. Os mini pôsteres, 10 reais. Não levavam… nada. Um fenômeno interessante, já que em feiras sempre rola divulgação dos artistas que irão participar e os mesmos sempre se antecipam dos produtos que irão levar.

Tenho um amigo que está tentando vender seus livros de poesia a R$10 e nem mesmo as pessoas que gostam do que ele posta e consomem o conteúdo dele desembolsam este valor TÃO ALTO (sendo irônica). Eu me pergunto: mas… por quê?

minha cara quando a pessoa pede desconto em produto que custa 10 reais :((((

É por isso que alguns artistas desistem, desanimam. A solução para isso tá em livros sobre o assunto, numa terapia, num consultoria, num passeio pra esvaziar a cabeça. SOZINHO é muito complicado, tem dias que dá vontade de desistir de tudo. E adivinha? Essas coisas custam dinheiro. Já viu quanto custa uma “imersão” artística? É papo pra 1000 contos, meuzamigos. Sentiu o impacto da bola de neve, né? NÃO FECHA, gente.

Então, da próxima vez que você for a uma feira, separe uma parte do seu dinheiro e compre nem que seja o produto mais barato de todos os stands que você conseguir. Se você for abastado, compre o mais caro, mesmo. Eu te garanto com TODA CERTEZA que este artista vai ficar muito agradecido. Dinheiro é necessidade, e saber que as pessoas estão levando nossa arte para casa e pagando por ela é algo bem importante. Caso contrário: fique em casa e deixe para levar sua roupa de grife a outro passeio que você esteja mais disposto a pagar.

Obrigada, de nada.

3 Comments

5 opções Netflix para artistas

Existem diversas coisas que eu utilizo para dar aquela alimentada básica no cérebro, mas sem dúvida, filmes, séries e documentários são as minhas fontes favoritas. Fico catando incansavelmente, e infelizmente, já houveram mais filmes e documentários na Netflix para criativos, hoje possui bem menos.

Segue minha pequena lista de opções que ainda estão disponíveis – mas sabe-se lá até quando. Portanto, aproveitem para assistir antes que retirem do catálogo!

Episódio 1 da série “Abstract”

Toda a série é boa (com exceção da segunda temporada que não me simpatizei tanto com os assuntos e até agora não assisti), mas este primeiro episódio é especial, pois exibe o dia de um ilustrador, ninguém mais, ninguém menos que Christoph Niemann, responsável por várias capas da renomada revista New York. A parte mais interessante que eu acho desse episódio é o fato de Christoph discutir a criatividade não como uma magia, e sim como uma prática, um trabalho. Sentar e gerar resultados.

O Serviço de Entregas da Kiki

Adicionado recentemente na Netflix juntamente com outros clássicos do Estúdio Ghibli, assisti este por recomendação de outra ilustradora, a Irena Freitas.

Kiki é uma jovem bruxa que se muda para outra cidade, longe da família, e de forma muito independente, começa a fornecer um serviço de entrega de encomendas para se manter. Achei interessante visto de uma ótica artística e freelancer, pois trata de dilemas como insegurança, falta de inspiração e sobrecarga de trabalho, entre outros que só mesmo assistindo para se identificar.

Como cérebro cria

Documentário levinho para entender de forma mais científica sobre como criatividade é um processo natural do nosso cérebro e como possui as mais diversas nuances, como podemos aproveitá-la e não torná-la como algo inalcançável ou complexa demais, obtida apenas por grandes artistas.

Grandes olhos

Este filme pode não ser do gosto de alguns, mas traz em debate um assunto de extrema importância para artistas: o machismo na arte e falta de créditos e reconhecimento das mulheres nas artes. O filme é sobre Margaret Keane, artista norte-americana que ficou famosa por suas pinturas com crianças possuindo grandes olhos. Porém, a fama foi direcionada para seu marido na época, que assinava todas suas obras como se fossem dele para que houvesse mais êxito nas vendas. Bem, já vimos casos assim antes, né? E sabemos bem onde isso acaba. Esse filme me deixou com bastante raiva, porém acho a discussão bem válida, infelizmente, até os dias de hoje.

Minha Obra-prima

Para encerrar o top 5, esse filme argentino com pitadas de drama, humor e reflexões bem bacanas sobre ser um artista quem mantém seu discurso e é autêntico. Tem um plot no semi-final divertidíssimo e carrega uma bela mensagem, principalmente sobre amizade. Em tempo, a maior delas eu acredito que seja: “valorize seus amigos artistas EM VIDA!”. Não esperava muito por ele e tive uma ótima surpresa.

Você conhece algum filme sobre arte e criatividade que goste bastante? Vou adorar ver sua sua sugestão nos comentários (mesmo que não tenha na Netflix :D)

2 Comments

A história de um projeto colaborativo que foi parar no Senac

Caixinha de surpresas, vida cíclica ou sei lá o quê: o importante é que as coisas da vida tão aí pra mostrar serviço mesmo

Falando um pouco do que nos traz orgulho, não poderia deixar de mencionar a trajetória da primeira vez que ilustrei um livro.

Fazendo um breve resumo, sou nascida e criada em Duque de Caxias, na baixada fluminense do RJ. Sempre fui da galera do desenho, porém de forma autodidata, até porque nem existia isso de curso de desenho na minha cidade. O contato que tive com aula de desenho foi no máximo na TV com Daniel Azulay nas manhã de sábado e alguns poucos ensinamentos que tive com um avô postiço em Nova Iguaçu, antes dele falecer, quando eu tinha 7 anos de idade.

Na adolescência, costumava ir ao centro de Caxias – que falamos apenas “ir a Caxias, mesmo estando em Caxias, não dá pra explicar muito bem isso-, e eu sempre passava frente a uma unidade do SENAC, sonhando com o dia em que poderia fazer um dos cursos de lá. Fazer qualquer curso do Senac, entre os meus, era tipo uma espécie de “ápice” da vida estudantil: “Fulano fez curso no Senac, tá bom pra você?”.

Só que a vida tem esse clichê cíclico e dá muitas voltas, né?

Em 2016, fui convidada a ilustrar um livro, projeto da minha amiga Bia Lombardi, uma pessoa que conheci e me aproximei de forma inusitada: primeiro, após nos conhecermos no universos dos blogs, depois, numa espécie de reality show do qual participamos na Rede TV! (eu disse que a vida dava umas voltas, né? e às vezes elas são bem estranhas, mesmo.)

Livro finalizado, ninguém tinha grana para publicar, então ele foi lançado numa plataforma de financiamento coletivo: e lá fomos nós. Campanha finalizada, livro impresso, tarde de café com alguns apoiadores e amigos. Foi um dia inesquecível e que me fez refletir ainda mais sobre o assunto do livro do qual publicávamos.

Mas não era apenas isso. O universo tinha mais que imaginávamos para este projeto. Ano passado, a Editora Senac se interessou pelo livro e o queria como material de estudo, pasmem: de um dos cursos da instituição.

Queria descrever o que senti quando a Bia me deu a notícia, mas eu nem saberia como. Acho que a ficha só caiu dias atrás, quando finalmente peguei a publicação nas mãos.

Este ano coloquei meus pés pela primeira vez dentro de um Senac. Passei por uma roleta em um prédio enquanto alguns alunos adolescentes na saída do curso passavam por mim em sentido oposto. Subi o elevador, acompanhada da Bia, apreensiva em assinar um dos documentos mais importantes da minha vida. É como se eu estivesse no coração de onde tudo acontecia e confesso, me senti maravilhada envolvida com aquele cheiro de livros e publicações recém saídas do forno. Em breve, alguns traços meus estariam ali, também, junto de todos aqueles livros de gente conhecida e importante.

Esse ano também tem sido um dos mais difíceis dos quais já passei: desempregada, consequentemente sem grana, recém saída de uma crise de ansiedade da qual nunca passei antes na vida e em processo de mudança para outra cidade. Mas dentro de mim acendeu aquela faisquinha super bem-vinda e necessária de que as coisas não estão perdidas. Que algo eu estou fazendo certo e que vale a pena ter aquela paciência marota de deixar a vida fazer sua parte, também.

E aquilo que a gente já tá careca de saber: as voltas filhote, as voltas…

Ah, o livro, claro, está disponível no site do Senac para quem quiser comprar. E não é por nada, mas é um livro incrível. Agora que você já sabe a história dele, conta pra mim: qual é o projeto da sua vida do qual você sente mais orgulho? Sem modéstias aqui, eu quero é orgulho mesmo ♥

2 Comments

Dois palitos para a direita

Afinal, o que tem de tão surpreendente em ser traído que você já não tenha visto antes?

Acordei bem cedo e fiquei pensando numa teoria que minha mãe adora dizer e que eu acho ótima a respeito de trair/ser traído: quem quer, move dois palitos dentro uma caixa de fósforos e simplesmente, arruma espaço para tal façanha.

Trair não exige um manual muito elaborado, a julgar pela inteligência quase inexistente em todos os meus ex-parceiros. Geralmente, a traição sempre é “descoberta” e nunca sabemos se isso faz parte de um fetiche – há quem seja mui adepto, eu garanto – ou só falta de esperteza ao encobertar fatos, mesmo. Para tal, nunca precisei utilizar meu diploma de Sherlock Holmes com pós graduação em CSI, infelizmente.

Agora, o SER traído é catastrófico. Galhudo, corno, chifrudo: a sociedade nunca perdoou o traído, os adjetivos não são nada criativos e o apoio moral é de discreto a nulo. Quase ninguém se compadece da vítima, nem mesmo os futuros cornos. Não existe vacina eficaz contra o contágio, e não é como catapora: quem pegou uma vez, pode pegar mais vezes (diz a lenda que é quase certo, inclusive). Não existe sequer padrão de beleza (Grazi Massafera que o diga), status social (queria eu curar minhas dores de corna numa banheira com taça de vinho, mas enfim) ou se você passa no débito ou no crédito. Os sintomas são geralmente bem óbvios e clichês como um filme do Woody Allen.

Também já estive do outro lado da história, numa relação não tão séria, mas mesmo assim, sinceramente, a impressão que tive foi de saborear uma fruta suculenta com final amargurado. Não gostei. Há quem precise ter esse sabor com certa frequência para se sentir vivo e rolar uma identificação com a alma e por outras coisas que não me deu tempo de entender, mas, eu gosto de me olhar nos espelhos. Vejo um defeito aqui e ali (ok, talvez visualmente eu veja MUITOS, mas isso é assunto pra outro post), e também gosto da ideia de deitar a cabeça no travesseiro e ter outros tipos de inquietações, como por exemplo, imaginar a Angelina Jolie chamando o nome de todos os filhos até chegar no filho certo ou num sistema eficaz que tire definitivamente a internet das mãos de gente instruída que acredita em fake news.

Mas, tem gente que prefere a mediocridade de viver a vida perigosamente em caixas de fósforo e a única benfeitoria, admito, é fazer girar a industria fonográfica da sofrência – nada mais justo. A conclusão pra gostar de tanto aperto semi-explosivo, eu deixo para a ciência. Hoje eu ainda vou dormir, sem galhos, assim espero.

4 Comments

Faça parte do grupo no Telegram “Primeiras Impressões” e receba dicas para deixar seus impressos cada vez mais incríveis!