Um alô para o social (de verdade)

Havia lido dias atrás um post no blog da Dani, Balzaca Materna, uma reflexão interessante sobre desconectar-se. Fiquei pensativa sobre e imediatamente os deuses da internet interpretaram como um pedido: na tarde de segunda até a manhã de hoje, nem por 10 São Longuinhos dançando Harlem Shake minha internet voltava.

 

O jeito foi aproveitar o hiatos forçado e assistir séries, filmes, organizar bagunças e ter muitos devaneios. Entre eles, me lembrei que muito antes de ter internet, eu costumava usar muito os hoje temidos chats para celular. Lembro de travar longas conversas de voz com pessoas desconhecidas, na maior naturalidade possível. E penso diversas vezes que, se a internet veio para aproximar pessoas, porque falar ao telefone tornou-se algo tão raro na minha vida de 10 anos para cá (isso já entre amigos e familiares, quem dirá desconhecidos…). Fora que já acreditei mais na escrita, hoje em dia penso que há ocasiões e ocasiões. Sabe aquela conversa que você acha que deveria ter dito ao invés de escrito? Então. E até cheguei a cogitar se faria este post em formato de escrita ou vídeo…

 

Eu não tenho uma resposta para isso, mas admito ter ficado menos social com o passar dos anos. Recuso festas e reuniões sempre que posso, e nem lembro qual foi a ultima vez que conheci alguém sem as seguintes condições:

a) ter conhecido pela internet antes;
b) saber  dias depois o perfil que a pessoa possui no nas redes sociais.

 

Reduce-your-telephone-bill

 

É tão mais prático acessar um perfil com todas as informações necessárias para longas conversas sobre assuntos variados e interessantes (ou em alguns casos: perder o interesse de vez), então porque é que tudo não se tornou mais fácil? As pessoas ” em branco” eram mais interessantes? Ou nos permitíamos mais? O fato é: acertávamos mais errando. E maldito seja o filtro social… aquele, que recusou a amizade da boa moça que só postava mensagens de auto-ajuda, e que, na real, era uma ótima companhia para um sorvete à tarde. Quem diria…

 

A internet pode ser como costumam dizer por aí, “uma lente de aumento” mas ando achando que o “mundo real” tem uma imagem 2D muito pouco explorada – e claro, nem sempre estamos usando as lentes certas. Muitas vezes, mais diminuindo do que aumentando: à nós e aos outros.

 

Para se perguntar:
qual foi a ultima vez que você teve uma conversa interessante por telefone ou pessoalmente?
qual foi a ultima pessoa que você fez amizade/ se relacionou sem que tenha tido qualquer ligação com a internet anteriormente?
Você costuma contar situações/novidades pessoalmente ou usa internet e outros meios para isso?

18 comentários em “Um alô para o social (de verdade)”

  1. Confesso que acho que esse avanço todo só ajudou a nos separar mais e a nos conhecer menos. Afinal, o que cada um posta nas redes, pode OU NÃO ser a realidade da pessoa. Acho triste.
    Graças a Deus o “tete a tete” faz parte da minha vida. A última grande amiga que entrou na minha vida veio através de um curso e vira e meche nos encontramos pra papear, pra dar risada e, pra mim, isso não tem preço. Faço parte de grupos da net e tal, mas pra mim, Flávia, está muito longe de ser o meu modelo de amizade. Mas sei que para algumas mais tímidas (longe de ser o meu caso rs) funciona bem. Eu gosto e faço questão do bom e velho contato, do olho no olho…
    bjks

  2. Incrível como a rede social dá uma ajuda, até porque se estamos com aquela pulguinha atrás da orelha com relação a tal pessoa, acabamos fuçando a maioria das redes que dele(a) para descobrir um pouco do ser antes de encontrar.

    Eu normalmente faço amizade sem ter relação alguma com a internet nos momentos em que os amigos me apresentam os amigos dele.

  3. Eu posso contar nos dedos as pessoas que eu conheço antes da internet, mas depois que compramos nosso primeiro computador, isso nunca mais aconteceu. Para que eu possa conhecer alguém pessoalmente sem antes sequer ter olhado o perfil, só se eu sou apresentada a ela por algum amigo em comum.

  4. Rê!!

    Eu não imagino a minha vida sem internet, mas atualmente estou “evitando” passar muito tempo conectada no fds.

    Estou aproveitando para fazer artesanato, bater perna por aí, conversar e abraçar as pessoas pessoalmente.

    Isso começou quando meu pc pifou e o note começou a travar e usar a net do celular por muito tempo é cansativo. Agora quero levar essa prática adiante pois está me fazendo bem.

    Agora não usar a net por opção dos servidores é de lascar né??

    Beijos.

  5. Oi, Key!

    Sabe, vejo até pelo meu relacionamento… assim que comecei a conversa com o namorado por MSN, fucei no falecido Orkut dele:comunidades bestas, scraps toscos e depoimentos de meninas que tinham tudo pra se tornarem minhas inimigas mortais porque chamavam ele de “amor”. Veja bem, tudo isso ANTES de eu sequer encontrar com ele.
    Julguei, mas julguei bonito!
    Aí, num domingo preguiçoso, acabei topando de sair com ele, apesar de todo esse perfil assustador… e foi aí que me surpreendi! Ele não era nada do que a internet mostrava… na real, ele era (e é!) muito mais o nerd que sempre idealizei pra mim do que o que a internet mostrava.
    Não me arrependi nem um pouquinho =D

    Beijocas!

  6. Sempre que eu posso (SEMPRE, SEMPRE, SEMPRE!) passo o email e ignoro o campo de telefone! Odeio telefone, sempre odiei! Acho texto mais fácil (e mais gostoso, dá pra guardar <3). Não acho que a intenet tenha afastado as pessoas, na verdade, ela me deu a possibilidade de achar várias outras pessoas com gostos parecidos com os meus (e odiar telefones é só um deles) e fez eu achar meu lugar no mundo (serião), deixei de ser a descolada da escola. Amo muito isso aqui.

  7. Amada, esta é a pergunta de ouro desta década: As redes sociais aproximam ou afastam das pessoas? Ainda não decidi.

    No meu caso, que sempre fui meio antissocial e que estou a mais de 1000 quilômetros dos meus familiares, as redes sociais me ajudam a ficar perto, manter contato, não perder o elo. Não fosse por isso, muitos parentes que adoro sequer conheceriam as minhas filhas mais novas.

    E a vida social “de verdade”? Eu criei uma nova aqui, e não é tãããããooo diferente do que era antes, porque eu sempre fui de ficar em casa mesmo. Mas, é claro, acho que nada substitui uma boa conversa ao vivo.

    Beijos!!

  8. Adorei o post… não podemos nem pensar que o desejo é realizado?? OMG!!
    Rê, tenho amigas da vida real que foram pra vida virtual, com essas faço encontro todos os meses e ganhamos horas no telefone, coisa muito boa. Eu amo falar ao telefone… esqueço da vida…
    E tenho conhecido muita gente que nunca vi na internet, isso por causa da psicologia, são pessoas da faculdade e do Conselho Regional no qual estou trabalhando. É uma coisa muito boa, não vi fotos, não vi postagens, não sei o que a pessoa pensa sobre assuntos da moda, mas conheci, olhei no olho, vi afinidades e gostei!!
    Por fim, se a novidade for muito urgente eu mando uma inbox, um e-mail, um SMS ou dou um telefonema, rsrsrsrsrsrsrs… Bjs, lindona!!! Eu te falei uma vez né?Que se vc morasse por aqui ainda talvez nunca teríamos nos tornado amigas, lembra???

  9. Olá Renata =)
    Tô fazendo faculdade à distância, e a principal queixa em dias de chat, é a falta de contato físico com os colegas de turma, professores, etc…
    Acho mesmo, que a internet aproxima quem está longe e de certa forma, afasta quem está por perto…

  10. Renata, oi!
    Eu sou a vencedora do sorteio, vim aqui só pra falar que já respondi o e-mail, por que não sei se foi. Sempre fico com medo dessas coisas, tecnologia é um mistério! HUXSHSXUSXHU

    Enfim, muito obrigada pela oportunidade, to surtando muito *-*
    Primeira vez que ganho um sorteio, haha
    oldoakthread.blogspot.com.br

  11. Sério, eu já tinha percebido, como é bom ficar sem internet por uns dias. Você poe tudo em dia, aquelas lições atrasadas do curso, lê os livros empoeirados da estante, arruma o quarto, anda mais de bicicleta e faz coisas, que com internet, você jamais faria.
    Mas nunca tinha percebido, como não existe mais esse negocio de conhecer alguém legal sem ter internet no meio :/ Isso se torna até meio chato. Você conhece alguém legal, e a primeira coisa que faz é pedir o face, ou coisa do tipo. Penso seriamente em excluir minha conta no facebook (a algum tempo já), ou deixar desativada pra usar só quando necessário. Acho que assim tudo ficaria melhor (ou não? G_G’)

    Estou meio que ‘curtindo’ fazer as coisas à moda antiga ultimamente!

    Post maravilhoso, vale a pena refletir ! 😀

  12. é Key, essa é uma reflexão necessária para o dia de hoje. Bom, eu ate acho que fico mto tempo na net, mas continua tendo amigos e mtas boas conversas fora dela. Mas fico pensando quando acabar a universidade… será que terei o mesmo contato com pessoas fora da web??

  13. Ixi, eu sou mais ao contrário. Conheço as pessoas pessoalmente e só depois virtualmente ou nem add em redes sociais, mesmo quando conheço. Sinto falta justamente de tornar real uma amizade virtual. Acho o máximo quando vejo gente que vira amigo depois de se conhecer pela internet.

  14. Adorei seu post. Nossa! Me fez refletir tanto. E tenho que concordar com tudo o que você disse/escreveu. Ultimamente, são cada vez mais raras minhas conversas por telefone e também tô nessa de “recusar festas e reuniões sempre que posso” ):

  15. Dentro de um contexto parecido, tento viver a vida “outside” primeiro, pra depois “vincular online”. Mais ou menos assim: Posso até ver seu perfil, saber de nome quem seja, mas prefiro encontrar umas duas ou três vezes pela rua, pra então “add ae”.

  16. Faz tempo que não converso com alguém sem saber exatamente quem ela é. Na maioria das vezes eu já conheço a pessoa de internet e aí passo a conhecer pessoalmente. Muito dificilmente eu faço o caminho inverso.

    Não vejo como um problema, vejo como minha realidade. Eu passo mais tempo “conectado” do que “ao vivo”, solto por aí pelo mundo disposto a conhecer pessoas.

    E também tenho problemas com esses filtros sociais que acabam por nos afastar de pessoas ótimas mas que não se encaixam em nossos “perfis”.

    Ótimo post.

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