Você e seu medo de criar coisas

Acho que se uma parte dos meus amigos e meu companheiro pudessem citar um top 5 dos assuntos que eu mais persisto, uma deles ao menos seria “você pode desenhar“. Eu sou praticamente uma evangelizadora deste mantra, mas quero explicar aqui que ele é sim, simples como parece mas não é bem isso que talvez você esteja pensando.

Vou ser sincera com você: talvez você desenhe de um jeito estranho. Um jeito que você acha estranho, ou um jeito que algum amigo seu julgue que você realmente não nasceu pra isso, e que bom que você é paisagista e não desenhista, por exemplo.

E aí eu te trago os seguintes fatos para você considerar:

  1. Não é todo mundo (MESMO) que precisa viver de desenho, nem largar o que faz. Até porque seria estranho. Já pensou se todas as pessoas do mundo apenas desenhasse? Imagina chegar na podóloga e ela dizer “todos os podólogos pararam suas atividades. agora apenas desenhamos”. Quem tem unha encravada não achou esta ideia engraçado.
  2. Eu não disse que você vai fazer uma obra prima e será o novo pupilo das galerias de Londres. Porém, se for a vontade, qualquer um poderia ser.
  3. Eu não digo que você precisa fazer isso todos os dias, como um exercício exaustivo, até conseguir fazer 30 posições diferentes de mãos e ao menos um pé (os pés… ah, os pés). Não precisa desenhar para evoluir, você pode desenhar só por desenhar, sem propósito algum. Para relaxar ou fazer um vodu de papel, por exemplo.
  4. Esqueça esses vídeos de compra de material, de técnicas de certo ou errado ou qualquer coisa do tipo. Deixe isso para quem se importa. Livre-se dessa bagagem de regras.

Bem, agora você já sabe: eu não disse que você sabe desenhar. eu disse que você PODE. É. Você tá autorizado, você é membro desse clube, também. Você, o Antônio que mora na esquina e eu. Mesmo seu amigo – ou você – achando estranho, não importa. Tem outras coisas estranhas que você faz e está sendo julgado neste momento por isso. Você pode incluir mais uma nessa, se assim, quiser, acredite. Dê as caras no seu direito de rabiscar algo e relaxar com isso.

Tem gente fazendo, mas você não

Quem tem crianças em casa já deve ter ouvido falar do Homem-Cão. Eu não conhecia, mas meu enteado é um recém aprendiz de leitor que adora a turma, que também tem como personagem o Capitão-Cueca (esse tá até na Netflix).

O gibi é voltado para crianças, claro, mas não pude deixar de dar uma espiada. Os traços são ridiculamente simples, quase grotescos. Tem erros propositalmente exibidos e aquela simplicidade deliciosamente admirável. As crianças amam e eles tem uma legião de fãs que aguardam ansiosamente pelas suas publicações.

aquele guarda ali nem braços tem

Eu adoro a arte simples, acho ela necessária, honesta, democrática. Sou devoradora e admiradora de artistas como Malfeitona, MrDoodle e Constante Bagel Therapy, que trazem arte possível, arte que precisa existir e ser compartilhada.

E se sua arte começasse a existir?

Você já deve ter visto um grafitti em algum lugar da sua cidade. E já deve ter visto palavras que parecem não dizer nada, ou desenhos que são repetidos em diversos locais. Grafitteiros possuem uma “tag”, que nada mais é que uma assinatura, um identificador que ele/ela esteve por ali.

Bem, se você tem papel de qualquer tipo na sua casa, vamos experimentar criar algo tipo uma “tag”. Um desenho simples que você pode usar após finalizar um bilhete, uma carta ou num cartão num presente, por exemplo, como um toque extra de personalidade. Se você tem filhos, proponho que cada um crie sua própria tag, e também criem uma única tag para todos, uma tag-família ou tag-amigos.

Não precisa de nenhum momento especial, material profissional, velas nem música soft. Você só precisa do papel (QUALQUER UM, até papel de pão se tiver) e algo que saia tinta da ponta (canetinha, giz, um delineador – o que você tive disponível e que dê para riscar).

Pense em algo que você goste bastante e adicione um toque seu, por exemplo: se você gosta de flores e é uma pessoa um pouco esquecida, faça a clássica florzinha escolar faltando uma pétala, por exemplo. Ou se você gosta de café e é um pouco desastrado, uma xícara com a alça quebrada – e assim por diante. Pense em coisas simples, para começar.

eu acho que minha tag é esse gatinho

Não esqueça de me contar como ficou sua tag. Se quiser, pode postar e marcar com a hashtag #hojeeudesenho e se estiver tímido, pode me mandar em particular. Vou adorar ver sua tag. Bora?

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